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sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
Corno do Bico: Crianças e Árvores
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Nunca puderia imaginar que fosse tão divertido guiar sete crianças, sendo que a mais nova tinha só 5 anos pelo trilho do Corno do Bico, num dia ensolarado de Inverno. Vivem cada descoberta com tanto entusiasmo, as vacas, os garranos, os piscos, os cogumelos, as árvores... Até as subidas mais íngremes são aventuras vivadas com uma vitalidade e alegria que dá gosto!
Quando quiserem já sabem, contem comigo.
Se forem ao Corno do Bico, não deixem de entrar num dos bosques de camacíperes. Estas árvores filtram a luz de uma forma muito especial. São lugares onde se consegue ouvir o silêncio (não com sete crianças claro).
A foto não é das mais felizes, mas ainda assim, vivam esta sensação e depois digam-me alguma coisa.
No Inverno, há algumas árvores de folha caduca que revelam estes musgos ou líquenes (perdoem-me não saber distinguí-los) que criam um visual próprio de contos de fadas.
Até breve!
Manel
PS - O Turismo de Paredes de Coura tem um um pequeno kit, prático e compacto com os 17 percursos marcados no Concelho. Tem um preço simbólico de 1 € e vale bem a pena ir lá buscá-lo.
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sábado, 20 de dezembro de 2008
Nevou no Corno do Bico
Esta semana estive no Corno do Bico - Paredes de Coura. Um dos meus lugares predilectos para vagabundear sozinho na floresta. Isto porque não tem precipícios nem lugares perigosos de se andar e o telemóvel ainda tem rede.
Eu já sabia que esta Zona de Paizagem Protegida, é encantadora até debaixo de tempestade. Agora com restos dos últimos nevões, nunca tinha visto.
Algumas imagens:
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Restos de neve no Corno do Bico e Montanhas nevadas a nordeste.
Regato no bosque de camacíperes onde, apesar do frio, encontrei alguns cogumelos interessantes. Os que estão identificados, foram-no em http://cogumelosportugal.forum-livre.com, onde estão mais pormenores sobre cada um.
Um coral no frio - Calocera viscosa
Armillaria mellea queimadas pelo frio
Já num bosque de carvalhos mais acima, encontrei esta
Tremella mesenterica. São bolsas gelatinosas que parecem algas.
O mirador rodeado pela floresta.
Até breve!
Manel
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Pedestrianismo
sábado, 15 de novembro de 2008
Cidade de Calcedónia. Terras do Bouro. Nov.08
Amigos,
Gostei muito deste trilho, pena foi ter começado a chover bastante lá em cima e não tirei as fotos que gostaria das fragas, grutas e carvalhos velhos. Também não passámos pela "fenda" com medo das escorregadelas.
Da próxima vez que fizer este percurso, há-de ser ao contrário. A razão principal é que a descida para Covide tem declives brutais que francamente acho mais seguro subir. Depois esta parte, em termos paisagísticos é menos interessante. Daí que prefiro chegar lá é cima por aqui e desfrutar do melhor na descida, menos complicada.
Recomendo este trilho, com tempo seco mas não muito quente. No Verão, ningém deve ser difícil aguentar o calor irradiado por todas aquelas pedras. A entre-ajuda de duas pessoas, pode dar jeito nas partes mais complicadas.
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Depois de Covide, chegando aqui, era isto que nos esperava para chegarmos à Calcedónia.
Na subida tivemos muita companhia. O literal caminho de cabras.
De todas as cores, na nossa enconsta e na outra, bem mais rochosa.
Para chegar à Calcedónia, tivemos que contornar este penhasco. Aqui começou a chover e nós abrigámo-nos entre umas pedras, a ver as cabras passar, guiadas por um cão. Mas do pastor nada...
Fragas de todas as formas e teitios.
Algumas esculturas elaboradas pelos elementos durante sabe-se lá quanto tempo.
A primeira Tremella mesenterica que encontrei num ramo caído de um carvalho. São bolsas gelatinosas, brilhantes de cor damasco vivo. Identificado em http://cogumelosportugal.forum-livre.com
Até breve!
Manel
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Pedestrianismo
segunda-feira, 28 de julho de 2008
Trilho da Brandas. Emoções fortes
Foi em Julho deste ano. Nunca pensei que o tempo fosse piorar tanto quando comecei a subida para a Branda de Gorbelas. Até aí a visibilidade não me atraiçoou. Dava para ver as montanhas à minha volta. Era só aquela chuva miudinha chata. Ainda conversei com duas senhoras cá em baixo na Gavieira, a Inverneira, ou seja o local de residência permanente desta comunidade pastoril, que quiseram saber o que ia eu fazer lá cima, sózinho com aquele tempo: "Com o nevoeiro aquilo é como se fosse noite". Exageros populares pensei eu...
Chegado à Branda de Gorbelas, a branda de cultivo ou "veranda", só estes dois simpáticos habitantes a me darem as boas-vindas. E umas vacas perto dos currais a mungir desesperadamente para que viesse alguém abrir-lhes a porta, pois já estavam fartas da chuva e do frio apesar de estarmos em pleno Verão.
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Os bancos de nevoeiro e chuva que desciam da montanha, conferiam a este ambiente, onde o homem só se atreve a viver no Verão para por o gado a pastar, logo tão natural como agreste e onde o assunto do dia são os lobos e não o futebol, uma dimensão fantástica que exerce sobre mim um fascínio e atracção, inexplicáveis.
Olhando para cima da Branda de Gorbelas, dava para ver que o tempo não ia melhorar. Mas eu já levava quase uma hora e meia nas pernas, não ia desistir agora. Além do mais, no meu mapa dizia que até lá cima era caminho carreteiro. Não havia como me perder. Grosso engano...
O trilho no nevoeiro, pareciam dezenas de trilhos. Era difícil dar com as marcas. Era um verdadeiro alívio encontrá-las. A dada altura aproximei-me demais de uma colocada bem alta num penedo para ficar acima do tojo e perdi-me de vez.
Em cima deste penedo, na escarpa que dá para um vale fundo, onde o rio Vez é só um fio de água, decidi voltar para baixo. Como dá para entender a visibilidade era nenhuma. Já estava feliz por ter chegado aqui e inteiro. Ia descer.
Porém, numa última olhadela para cima enquanto o nevoeiro abre só um bocadinho, lá encontro o carreteiro e a marca. Agora chego lá cima!
Mal sabia o que ainda tinha para andar e sempre a subir. O caminho todo molhado, de progressão difícil e lenta. Mas depois do carreteiro, até Poulo da Seida, é só seguir um muro de pedra solta. Pelo menos sabia que esse muro seria o meu guia para baixo.
Só me apercebi de estar na branda de gado de Poulo da Seida quando me aproximei aos poucos metros destes abrigos de pastores que hoje sei que se chamam cortelhos. São às dezenas. Cada um com o seu pequeno curral de pedra solta também.
Ficam num planalto, onde há várias "minas" de água fesca. São as nascentes do rio Vez. Do lado esquerdo fica o fojo do lobo, mas que desta vez, não conseguia ver, nem sequer lá chegar pelas marcas.
Perceber o topo do Poulo da Seida, ditou também o final da minha subida. Sabia que faltava chegar ao fojo do lobo e que devia estar ali perto, mas não encontrava as marcas. Resolvi procurar um dos cortelhos para trocar as meias molhadas por umas secas e tentar descer com mais algum conforto.
Descalço, começo a ouvir uns urros mal dispostos. Só tive tempo de calçar as botas à pressa e desviar-me deste touro cachena mal-disposto.
Resultado, enfiei-me na turfa até aos joelhos e a descida foram três horas com os pés elameados. Nada de grave. Pior foi descer cada uma daquelas pedras molhadas e escorregadias. Várias vezes optei por por o rabo no chão para não mandar um tombo. Nestes caminhos, para mim as descidas são mais difíceis que as subidas.
Já na descida e ao longo do tal muro de pedra solta que me guiou até ao carreteiro, o nevoeiro abriu só um pouco e deu para perceber que estava no meio de uma manada de gado cachena. É próximo ao Barrosão, mas mais elegante.
Passado duas semanas, voltei com uma amiga. Queria entender o que o mau tempo não me tinha deixado ver.
Branda de Poulo da Seida. O pasto, com os cortelhos e as minas onde nasce o Vez.
Mesmo lá em cima, a manada com os garranos mais bonitos que já vi.
O tal fojo do lobo. Imaginem as batidas, onde os pobres animais acabavam num buraco cá em baixo. Felizmente, hoje é só um monumento a essa eterna rivalidade pela sobrevivência de duas espécies, neste ambiente tão difícil e fantástico.
Todos os anos, o lobo ainda vai levando umas poucas rezes. Os pastores daqui queixam-se que o PNPG demora tempo demais a indemnizá-los. Falam em até dois anos.
O muro de pedra solta que no mau tempo me guiou entre o carreteiro de Gorbelas até Poulo da Seida.
A Branda de Gorbelas, vista cá de cima, com o feno acabado de ser cortado e o maciço da Peneda ao fundo (perdoem-me as fotos, não estão grande coisa).
Arte popular na Branda de Gorbelas.
Ficaram a faltar as imagens de algumas das maiores mariolas que já vi, a sul do Fojo do Lobo. Serviriam provavelmente, para guiar os pastores, no mau tempo, fosse nas batidas ao lobo ou na condução do gado entre as várias brandas da Peneda.
No próximo Verão, vou ver se arranjo companhia, para começar o percurso em Gorbelas, em vez de ser na Gavieira, acrescentando o caminho das mariolas, que chegam a 2 e 3 metros cada uma, feitas de pedra miúda.
Quero agradecer aos autores do texto "Pastoreio livre no Norte de Portugal". São eles Adelino Gouveia, José Vieira Leite e Rui Dantas. Desde que subi até à Branda de Poulo da Seida, que pergunto e pesquiso sobre o funcionamento destas comunidades e que os cortelhos me intrigam. Nem que fosse mais sintetizada, era este o tipo de informação interessante que eu gostaria de ver impresso nas centenas de quilos de papel produzidas anualmente pelas autarquias, turismo, icnb, associações de desenvolvimento regional, e demais organizações envolvidas na promoção desta área. Algum com interesse questionável. Aos autores, muito obrigado.
O texto completo está disponível nesta página da SPER. Procure por "Pastoreio livre no Norte de Portugal.
Até breve!
Manel
PS - Pedestrianismo não deve ser uma actividade solitária, muito menos nestas condições. Diminuo o risco, avisando amigos onde deixo o carro e o que vou fazer. Mas nestes lugares é comum os telemóveis não terem rede e a probabilidade de acidentes é real.
Quando me der para fazer outra destas, no mínimo vou ver se arranjo um ou dois companheiros que partilhem comigo o entusiasmo de andar no mau tempo. Não vai ser fácil, mas nos States, há tolos que se metem no meio dos furacões...
PPS - Se gostou deste tópico, veja também o Vale Glaciar do Vez.
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domingo, 15 de abril de 2007
Aldeia mágica em Arouca, guardada por dragão. Abr.07
Abril depois das chuvas, deve ser os momento ideal para fazer este trilho da Aldeia Mágica. As montanhas são extensões a perder de vista, cor lilás das urzes. As formas e sombras que assumem, nunca mais me sairam da minha memória. Fazem-me lembrar as garras do maior dragão do mundo que, cansado resolveu dormir ali à nossa frente, talvez a proteger a aldeia abandonada. Infelizmente não tenho imagens que dêem para fazer perceber o que descrevo, mas quem por lá passou, suponho que sabe o que quero dizer.
A chegada a Drave é uma surpresa fantástica. Só é pena não haver um projecto sério de recuperação desta aldeia abandonada devido ao isolamento e estado de pré-ruína.
Vejam as fotos.
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Uma pastora de Regoufe. Eu bem lhe pedia para por o cabrito no chão, mas ela disse que já tinha corrido demais atrás dele...
Perspectiva de Regoufe, onde o trilho começa e acaba. Uma aldeia que deve ter conhecido melhores dias no tempo da exploração do volfrâmio.

Do lado de lá, vai-se para Covêlo de Paivô. Se para Drave o solo é de Xisto, para lá é granítico. A divisão geológica é mesmo neste vale que termina em regoufe. Suponho que aquela mancha enorme de areia que vem muito mais de cima, ainda seja detritos das minas.

Uma das garras das patas do dragão. Para cada lado há outra tão colossal como esta. A neblina cria-lhes nuances e sombras, como se fossem feitas de pregas de um couro grosso.
Desgaste do xisto, provocada pelas rodas dos carros puxados por animais.
Caminho vai ficando cada vez mais florido conforme nos aproximamos de Drave.
Muros de pedra solta de xisto, mas dispostas de uma forma que nunca tinha visto.
Mais arbustos em flor mesmo à chegada de Drave.
O primeiro núcleo de casas de xisto, num monte à esquerda, antes de passar o ribeiro.
Isto foi há quase dois anos. Dá pena pensar quantos destes telhados já terão caído. Ficaria muito feliz se soubesse da existência de um projecto sério de recuperação e aproveitamento turístico, recreativo, ou com qualquer outro fim objectivo, para não perdermos este espaço idílico.
Uma última perspectiva da aldeia mágica. Um epíteto que não é exagerado.
Campos e ribeiro ao fundo de Drave
Quero lá voltar este ano
Até breve!
Manel
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