segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Trilho do Currais - Gerês - Set.08

Pelas suas paisagens tão variadas, este é um dos meus trilhos favoritos do Gerês. Além disso e quem conhecer os caminhos marcados com mariolas dos pastores, ou for com tempo equipamento e conhecimentos de navegação, deve ter imensas alternativas. Imagino que daqui até possa chegar ao rio e cascata do Arado.
A única observação que tenho a fazer é a descida da Pedra Bela para a Vila do Gerês. Achei íngreme demais, de saibro solto com uma vegetação desinteressante, perigosa e muito cansativa.
Da segunda vez que o fiz, apanhei um táxi na Vila do Gerês, deixei o carro no parque de campismo do Vidoeiro (2 km acima da Vila) onde supostamente o circuito deveria começar e fiz o percurso em sentido contrário, a partir da Pedra Bela. Esta batota custou-me 7€  e o percurso fica bem mais agradável. No final, peguei no carro e ainda fui fazer mais uns kms na geira romana da Portela do Homem, pela Mata da Albergaria, com direito a banhoca no rio Homem. 

Clique nas imagens para aumentarem
Há quanto tempo o Tempo esculpe estas fragas?


Duendes admirando a paisagem em amena cavaqueira

Curral da Carvalha das Éguas
Abrigo no Curral do Vidoeiro. Reparem no detalhe que só me apercebi quando editei esta imagem, da cruz deitada, gravada na porta do abrigo.
Panorâmica do Curral do Vidoeiro, com os abrigos e as mariolas. Os pastores precisavam mesmo destes marcos para se guiarem no meio da tempestade, ou há outras razões para as erguerem tão alto,  como aspectos culturais, marcação de  propriedade?
Flores lilazes que brotam nos pastos destas paragens no final do Verão
Merendera pyrenaica. Identificados por Carlos Aguiar. Obrigado!
Garranos no Curral do Vidoeiro
Cogumelos fimícolas - Crescem no esterco.
Vegetação na berma, antes de chegar ao medronhal

Medronhal. Os troncos assumem formas torcidas, fabulosas.

Cascatas no Rio Homem - Mata da Albergaria

Ponte de madeira que dá acesso às cascatas

Um dia que enche a alma.

Até breve!

Manel


domingo, 28 de dezembro de 2008

FunkyPots: Maus Hábitos 2007

Em Maio de 2007 pediram-me para dar um jeito ao pátio do Maus Hábitos. Queriam ajardinar aquilo. As premissas eram:
  1. Fazer algo enquadrado com o espírito do espaço
  2. Compatível e funcional com o intenso tráfego daquela área, desde os almoços até altas horas da noite
  3. Very, very, very, but very low budget.
O estado em que encontrei o pátio era este. Um fundo do quintal. Só faltava O tanque e o estendal da roupa. A proposta não podia ser mais aliciante

Clique nas imagens para aumentarem





Se o chão não podia ser ocupado com vasos, floreiras ou contentores, só me restava uma solução: Pendurá-los. Então ocorreu-me criar um pátio de cestos pendentes, com materiais alternativos, e inusitados:
  • Paus rolados da praia de Cortegaça. Sempre imaginei fazer alguma coisa com eles
  • Cestos de arame das mercearias falidas pelo advento das grandes superfícies, latas de tinta pintadas com esmalte forja e capacetes de obra invertidos.
  • Mais tarde, juntei penicos antigos esmaltados, bacias e baldes velhos de zinco (ainda não tenho imagens destes.
  • A iluminação foi feita com focos de 12volts, em garafas de alumínio, sem o fundo.
  • Pelo S. João ainda me deu para fazer uns cartuchos de lona para por uns manjericos.
  • No final do ano passado, chegámos à conclusão que a rega automática era fundamental. Poupávamos muita água e trabalho.

No primeiro ano joguei pelo seguro e apostei em petúnias surfinas para a parede mais ensolarada. Há mistura uns pelargónios pendentes e lantanas amarelas para dar volume no centro dos cestos e contraste cromático

Nos cestos de sombra usei musgo em vez de tela geotextil. Ainda lá está, mas completamente envolto pelas heras. Vou ver se arranjo umas imagens mais actuais.

Um cesto do verbenas pendentes de várias cores com alegrias no centro

Os cartuchos de lona com manjericos e um cesto forrado a lona também com milliumfolliuns (umas petúnias mas com flor mais pequena)

Panorâmica geral. Agora pela Primavera há mais capacetes a dar cor e as plantas ganham, mais volume. Na primavera passada foram plantados 500 bolbos de tulipas, narcisos e jacintos. A ver se no Maus Hábitos há fotos delas...

Mais um cesto de sombra com menta e outras ervas aromáticas usadas nas refeições vegetarianas e nas paredes, alegrias para dar cor.

Hoje temos lá um pequeno viveiro que abastece praticamente as plantas do pátio. Agora para o Inverno sairam as plantas anuais e entraram as prímulas, cyclamens, chorinas e outras que hão-de florir proximamente e na Primavera.

Se alguém precisar de renovar uma varanda, pátio ou mesmo jardim, pois terei todo o gosto em fazer uma proposta.

Até breve!

Manel

PS - Obrigado Daniel Pires! sem o teu entusiasmo, desde andar a rebocar paus pela praia, até arranjar soluções engenhosas para pendurar isto tudo, nada teria sido possível!

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Corno do Bico: Crianças e Árvores

Clique nas imagens para aumentarem

Nunca puderia imaginar que fosse tão divertido guiar sete crianças, sendo que a mais nova tinha só 5 anos pelo trilho do Corno do Bico, num dia ensolarado de Inverno. Vivem cada descoberta com tanto entusiasmo, as vacas, os garranos, os piscos, os cogumelos, as árvores... Até as subidas mais íngremes são aventuras vivadas com uma vitalidade e alegria que dá gosto!

Quando quiserem já sabem, contem comigo.


Se forem ao Corno do Bico, não deixem de entrar num dos bosques de camacíperes. Estas árvores filtram a luz de uma forma muito especial. São lugares onde se consegue ouvir o silêncio (não com sete crianças claro).
A foto não é das mais felizes, mas ainda assim, vivam esta sensação e depois digam-me alguma coisa.


No Inverno, há algumas árvores de folha caduca que revelam estes musgos ou líquenes (perdoem-me não saber distinguí-los) que criam um visual próprio de contos de fadas.


Até breve!

Manel

PS - O Turismo de Paredes de Coura tem um um pequeno kit, prático e compacto com os 17 percursos marcados no Concelho. Tem um preço simbólico de 1 € e vale bem a pena ir lá buscá-lo.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Nevou no Corno do Bico

Esta semana estive no Corno do Bico - Paredes de Coura. Um dos meus lugares predilectos para vagabundear sozinho na floresta. Isto porque não tem precipícios nem lugares perigosos de se andar e o telemóvel ainda tem rede.
Eu já sabia que esta Zona de Paizagem Protegida, é encantadora até debaixo de tempestade. Agora com restos dos últimos nevões, nunca tinha visto.
Algumas imagens:

Clique nas imagens para aumentarem
Restos de neve no Corno do Bico e Montanhas nevadas a nordeste.

Regato no bosque de camacíperes onde, apesar do frio, encontrei alguns cogumelos interessantes. Os que estão identificados, foram-no em http://cogumelosportugal.forum-livre.com, onde estão mais pormenores sobre cada um.


Um coral no frio - Calocera viscosa


Armillaria mellea queimadas pelo frio

Já num bosque de carvalhos mais acima, encontrei esta

Tremella mesenterica. São bolsas gelatinosas que parecem algas.


O mirador rodeado pela floresta.

Até breve!

Manel

Cogumelos - Saída de campo da Oficina CMIA

Naquele sábado, 13 de Dezembro, chovia até mais não de manhã.

Mas de tarde houve umas abertas e lá conseguimos ir a uma propriedade, numa freguesia do interior de Vila do Conde, de uma Senhora muito simpática e de quem já tinha ouvido falar bastante.

Clique nas imagens para aumentarem
Este
Phalus impudicus
que para além desta forma sugestiva, tresanda para atrair as moscas e disseminar os seus esporos, é apenas um de dez que postei no fórum
Os exemplares foram todos bem identificados no campo pelo Carlos Venade. Mas eu não tomei notas, então depois tive que recorrer à memória e guias.
No entanto foi o Pedro Claro, do Fórum que mais uma vez me ajudou a clarificar as ideias. Vejam que vale a pena.
Têm é que ir ao fundo do tópico, pois são as últimas mensagens.

Até breve!

Manel 


sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Jardim das Aromáticas do Palácio de Cristal

Existe um jardim de aromáticas. É pena que esteja tão abandonado. Ainda assim, costumo passear por lá para sentir as frangrâncias, as cores e as texturas daquelas plantas.

Dia 13 de Dezembro passado fiz uma oficina de identificação de cogumelos e ervas aromáticas no CMIA de Vila do Conde. Foi daquelas actividades que me encheram a alma. Não me canso de felicitar a Luísa e a Mariana do CMIA, bem como o animador, Carlos  Venade que conferiu à actividade imenso interesse.

Achei que era uma oportunidade de ouro, para saber o que eram aquelas ervas do Palácio que tanto me seduzem. Então, dois dias antes, fui lá, mesmo debaixo de chuva, dirigi-me aos escritórios e pedi autorização para fazer uma colheita para 
identificação. A certa altura, as minhas mãos estavam tão impregnadas de fragrâncias que qualquer daninha parecia aromática.

Carlos Venade identificou mais de 20 exemplares que vou tentar mostrar-vos na mensagem inaugural deste blogue. Em cada erva, coloco links de fornecedores hortos que têm a mesma em catálogo e a sua descrição online. Numa ou outra tive que recorrer a sites estrangeiros. Há ainda um par de casos que adicionei links de artigos interessantes sobre a planta em causa.
Aqui vão elas:

Clique nas imagens para aumentarem

Absinto (Artemisia absinthium)

Também conhecido como Absinto-amargo; Losna; Acintro; Sintro; Losna-maior; Citronela-maior; Grande-absinto; Folhagem - verde-acinzentada, aroma forte, comprimento 6 a 10 cm; Flor amarela; Época de floração: Junho-Setembro; Ciclo de vida: Perene; Porte - altura: 1m, diâmetro: 60-90 cm, estrato arbustivo: subarbusto; Propriedades: aromática, medicinal, condimentar; Partes utilizadas: folhas; Solo: todo o tipo de solos; Exposição: sol; Cultivo: repele pragas; Espontânea;

Carvalhinha (Teucrium chamaedrys)
Descrição do Cantinho das Aromáticas

Também conhecida por Camédrios, Erva-carvalha, Carvalho-pequeno e Têucrio; Folhagem de aroma suave; Flor rosa a magenta; Época de floração: Maio-Setembro; Ciclo de vida: perene; Porte - altura: 10-25 cm diâmetro: 10-25 cm estrato arbustivo: subarbusto; Propriedades: medicinal; Solo: todo o tipo; Exposição: Sol/meia-sombra;

Erva-do-caril Perpétua-das-areias (Helychrisum italicum) Descrição do Cantinho das Aromáticas

Folhagem acinzentada com aroma de caril; Flor amarela; Época de floração: Verão e Outono; Ciclo de vida: perene; Porte - altura: 60 cm diâmetro: 1 m estrato arbustivo: subarbusto; Propriedades: aromática, medicinal, condimentar; Comestível; Solo: bem drenado; Exposição: sol

Santolina verde (Santolina virens)
Descrição do Cantinho das Aromáticas

Também conhecida como Santolina-verde; Folhagem de aroma intenso; Flor amarela; Época de floração: Verão; Ciclo de vida: perene; Porte - altura: 25-50 cm diâmetro: 60 cm estrato arbustivo: arbusto; Propriedades: aromática, medicinal, condimentar; Partes utilizadas: folhas; Solo: todo o tipo; Exposição: sol;

Santolina
(Santolina chamaecyparissus)
Descrição do Cantinho das Aromáticas

Também conhecida como Abrótano-fêmea, Guarda-roupa, Pequeno-limonete e Roquete-dos-jardins; Folhagem prateada de aroma intenso; Flor amarela; Época de floração: Junho-Agosto; Ciclo de vida: perene; Porte - altura: 20-50 cm diâmetro:60-90 cm estrato arbustivo: arbusto; Propriedades: aromática, medicinal; Solo: todo o tipo; Exposição: sol; Repele pragas; Poda: Deve ser podada na Primavera. Deve-se remover as cabeças florais e aparar no Outono. 

Tenho um pdf com todas as ervas aromáticas devidamente identificadas, com links e outras observações.  Seria exaustivo replicar aqui esse trabalho. No entanto se me enviarem um email a solicitá-lo, terei todo o gosto a proceder ao seu envio.

Manel

sábado, 15 de novembro de 2008

Cidade de Calcedónia. Terras do Bouro. Nov.08

Amigos,

Gostei muito deste trilho, pena foi ter começado a chover bastante lá em cima e não tirei as fotos que gostaria das fragas, grutas e carvalhos velhos. Também não passámos pela "fenda" com medo das escorregadelas.

Da próxima vez que fizer este percurso, há-de ser ao contrário. A razão principal é que a descida para Covide tem declives brutais que francamente acho mais seguro subir. Depois esta parte, em termos paisagísticos é menos interessante. Daí que prefiro chegar lá é cima por aqui e desfrutar do melhor na descida, menos complicada.

Recomendo este trilho, com tempo seco mas não muito quente. No Verão, ningém deve ser difícil aguentar o calor irradiado por todas aquelas pedras. A entre-ajuda de duas pessoas, pode dar jeito nas partes mais complicadas. 

Clique nas imagens para aumentar

Depois de Covide, chegando aqui, era isto que nos esperava para chegarmos à Calcedónia.


Na subida tivemos muita companhia. O literal caminho de cabras.

De todas as cores, na nossa enconsta e na outra, bem mais rochosa.

Para chegar à Calcedónia, tivemos que contornar este penhasco. Aqui começou a chover e nós abrigámo-nos entre umas pedras, a ver as cabras passar, guiadas por um cão. Mas do pastor nada...


Fragas de todas as formas e teitios.

Algumas esculturas elaboradas pelos elementos durante sabe-se lá quanto tempo.

A primeira Tremella mesenterica que encontrei num ramo caído de um carvalho. São bolsas gelatinosas, brilhantes de cor damasco vivo. Identificado em http://cogumelosportugal.forum-livre.com
Até breve!

Manel

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Trilho da Brandas. Emoções fortes

Foi em Julho deste ano. Nunca pensei que o tempo fosse piorar tanto quando comecei a subida para a Branda de Gorbelas. Até aí a visibilidade não me atraiçoou. Dava para ver as montanhas à minha volta. Era só aquela chuva miudinha chata. Ainda conversei com duas senhoras cá em baixo na Gavieira, a Inverneira, ou seja o local de residência permanente desta comunidade pastoril, que quiseram saber o que ia eu fazer lá cima, sózinho com aquele tempo: "Com o nevoeiro aquilo é como se fosse noite". Exageros populares pensei eu...

Chegado à Branda de Gorbelas, a branda de cultivo ou "veranda", só estes dois simpáticos habitantes a me darem as boas-vindas. E umas vacas perto dos currais a mungir desesperadamente para que viesse alguém abrir-lhes a porta, pois já estavam fartas da chuva e do frio apesar de estarmos em pleno Verão.
Clique nas imagens para aumentarem
Os bancos de nevoeiro e chuva que desciam da montanha, conferiam a este ambiente, onde o homem só se atreve a viver no Verão para por o gado a pastar, logo tão natural como agreste e onde o assunto do dia são os lobos e não o futebol, uma dimensão fantástica que exerce sobre mim um fascínio e atracção, inexplicáveis.

Olhando para cima da Branda de Gorbelas, dava para ver que o tempo não ia melhorar. Mas eu já levava quase uma hora e meia nas pernas, não ia desistir agora. Além do mais, no meu mapa dizia que até lá cima era caminho carreteiro. Não havia como me perder. Grosso engano...
O trilho no nevoeiro, pareciam dezenas de trilhos. Era difícil dar com as marcas. Era um verdadeiro alívio encontrá-las. A dada altura aproximei-me demais de uma colocada bem alta num penedo para ficar acima do tojo e perdi-me de vez.

Em cima deste penedo, na escarpa que dá para um vale fundo, onde o rio Vez é só um fio de água, decidi voltar para baixo. Como dá para entender a visibilidade era nenhuma. Já estava feliz por ter chegado aqui e inteiro. Ia descer. 

Porém, numa última olhadela para cima enquanto o nevoeiro abre só um bocadinho, lá encontro o carreteiro e a marca. Agora chego lá cima!

Mal sabia o que ainda tinha para andar e sempre a subir. O caminho todo molhado, de progressão difícil e lenta. Mas depois do carreteiro, até Poulo da Seida, é só seguir um muro de pedra solta. Pelo menos sabia que esse muro seria o meu guia para baixo.
Só me apercebi de estar na branda de gado de Poulo da Seida quando me aproximei aos poucos metros destes abrigos de pastores que hoje sei que se chamam cortelhos. São às dezenas. Cada um com o seu pequeno curral de pedra solta também. 
Ficam num planalto, onde há várias "minas" de água fesca. São as nascentes do rio Vez. Do lado esquerdo fica o fojo do lobo, mas que desta vez, não conseguia ver, nem sequer lá chegar pelas marcas.


Perceber o topo do Poulo da Seida, ditou também o final da minha subida. Sabia que faltava chegar ao fojo do lobo e que devia estar ali perto, mas não encontrava as marcas. Resolvi procurar um dos cortelhos para trocar as meias molhadas por umas secas e tentar descer com mais algum conforto.

Descalço, começo a ouvir uns urros mal dispostos. Só tive tempo de calçar as botas à pressa e desviar-me deste touro cachena mal-disposto.
Resultado, enfiei-me na turfa até aos joelhos e a descida foram três horas com os pés elameados. Nada de grave. Pior foi descer cada uma daquelas pedras molhadas e escorregadias. Várias vezes optei por por o rabo no chão para não mandar um tombo. Nestes caminhos, para mim as descidas são mais difíceis que as subidas.

Já na descida e ao longo do tal muro de pedra solta que me guiou até ao carreteiro, o nevoeiro abriu só um pouco e deu para perceber que estava no meio de uma manada de gado cachena. É próximo ao Barrosão, mas mais elegante.

Passado duas semanas, voltei com uma amiga. Queria entender o que o mau tempo não me tinha deixado ver.

Branda de Poulo da Seida. O pasto, com os cortelhos e as minas onde nasce o Vez.

Mesmo lá em cima, a manada com os garranos mais bonitos que já vi.

O tal fojo do lobo. Imaginem as batidas, onde os pobres animais acabavam num buraco cá em baixo. Felizmente, hoje é só um monumento a essa eterna rivalidade pela sobrevivência de duas espécies, neste ambiente tão difícil e fantástico.
Todos os anos, o lobo ainda vai levando umas poucas rezes. Os pastores daqui queixam-se que o PNPG demora tempo demais a indemnizá-los. Falam em até dois anos.

O muro de pedra solta que no mau tempo me guiou entre o carreteiro de Gorbelas até Poulo da Seida.
 .
A Branda de Gorbelas, vista cá de cima, com o feno acabado de ser cortado e o maciço da Peneda ao fundo (perdoem-me as fotos, não estão grande coisa).
Arte popular na Branda de Gorbelas.
fi
Ficaram a faltar as imagens de algumas das maiores mariolas que já vi, a sul do Fojo do Lobo. Serviriam provavelmente, para guiar os pastores, no mau tempo, fosse nas batidas ao lobo ou na condução do gado entre as várias brandas da Peneda.
No próximo Verão, vou ver se arranjo companhia, para começar o percurso em Gorbelas, em vez de ser na Gavieira, acrescentando o caminho das mariolas, que chegam a 2 e 3 metros cada uma, feitas de pedra miúda.

Quero agradecer aos autores do texto "Pastoreio livre no Norte de Portugal". São eles Adelino Gouveia, José Vieira Leite e Rui Dantas. Desde que subi até à Branda de Poulo da Seida, que pergunto e pesquiso sobre o funcionamento destas comunidades e que os cortelhos me intrigam. Nem que fosse mais sintetizada, era este o tipo de informação interessante que eu gostaria de ver impresso nas centenas de quilos de papel produzidas anualmente pelas autarquias, turismo, icnb, associações de desenvolvimento regional, e demais organizações envolvidas na promoção desta área. Algum com interesse questionável. Aos  autores, muito obrigado. 
O texto completo está disponível nesta página da SPER. Procure por "Pastoreio livre no Norte de Portugal.

Até breve!

Manel

PS - Pedestrianismo não deve ser uma actividade solitária, muito menos nestas condições. Diminuo o risco, avisando amigos onde deixo o carro e o que vou fazer. Mas nestes lugares é comum os telemóveis não terem rede e a probabilidade de acidentes é real.
Quando me der para fazer outra destas, no mínimo vou ver se arranjo um ou dois companheiros que partilhem comigo o entusiasmo de andar no mau tempo. Não vai ser fácil, mas nos States, há tolos que se metem no meio dos furacões...

PPS - Se gostou deste tópico, veja também o Vale Glaciar do Vez.