domingo, 4 de janeiro de 2009

Trilho Pertinho do Céu - Serra da Peneda Set.08

Mais um trilho de brandas. A subida é feita sobre um bosque de carvalhos com cenários deslumbrantes.

Bastou chover um pouco que a urze estava toda florida e estas florzinhas lilazes começaram a aparecer nos pastos.
Vimos um telhado de colmo, coisa raríssima já por estas bandas.
A segunda parte do trilho, aproxima-nos do maciço da Peneda e vão-nos dando uma sensação muito forte de imponência.
São puxados mas gratificantes estes trilhos de brandas.

Vejam as fotos

Clique nas imagens para as aumentar

Carvalhal na subida
Carreteiro com urze recém florida
Panorama da subida
Carreteiro que nos leva à branda de Bosgalinhas. Não há que enganar

Alguém sabe o nome destas flores? Disseram-me que as perdizes arrancam-nas para comer as suas raízes.
Parece que são Flores de Rómulo, se forem as mesmas que a Rosa postou no seu blogue de cheiros 

Telhado de colmo na Branda de Bosgalinhas. Mais uma tradição a perder-se. 

Branda de Bosgalinhas com o maciço da Peneda ao fundo. A descida é uma aproximação gradual à sua base e a um pequeno rio com pequenas lagoas e cascatas que aí corre.

Maciço, granítico, imponente, cada vez mais próximo.

Pormenor curioso da urze florindo com uma flor silvestre mais clara.

Até breve!

Manel

sábado, 3 de janeiro de 2009

Trilho da Preguiça - Gerês

Este é daqueles trilhos que eu imagino serem bonitos todo o ano. No Verão tem imensos lugares para nos refrescarmos, apesar de se apanhar com turistas a mais, provavelmente pela proximidade do Gerês. Mas no Outono mostra estas cores deslumbrantes, alguns cogumelos e castanhas de bom tamanho no chão. Na Primavera nunca o fiz, porém imagino que seja bastante florido. No Inverno aconselho alguma precaução em piso molhado ou com neve, mas em tempo seco, tudo bem.

Clique nas imagens para aumentarem

Recanto do Ribeiro da Laja

Não me canso de fotografar estas árvores carregadas de trepadeiras


Ribeiro da Cantina

As primeiras Fistulinas hepaticas que encontrei. Por dentro são húmidas e marmoreadas, autênticos bifes. Identificado em http://cogumelosportugal.forum-livre.com




Parecem azevins, mas frutificam mais cedo e a folha não é recortada. Alguém me ajuda a identificar esta planta?

Os primeiros tons de Outono.

Fim da linha, com a cascata de Leonte.

Até breve!

Manel

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Deliciosamente intoxicado


Minha história com os cogumelos é muito emocional, como todo o meu percurso.

Lá em casa, cozinhava-se muito com cogumelos. Meu pai trazia trufas de Itália e a sua preparação, era um momento único.

Em miúdo, ficava encantado com as histórias de como e onde eram apanhadas: Em noites de trovoada, perto dos cemitérios, buuhhhhh. Enfim mitos que só aumentavam ainda mais a minha  atracção pelos cogumelos. Eu queria imenso ter um cão ou um porco trufeiro, ehehehe.

Há uns 4 anos, um grande amigo deu-me um guia de cogumelos. O mesmo que ainda hoje uso. Num pinhal tropecei nuns lactários. Peguei no guia e voltei lá. Apanhei-os, cozinhei-os e comi-os. Chamaram-me maluco e com razão. É que identificar lactários apenas por um guia, até é razoavelmente seguro, mas para a maioria dos outros grupos de cogumelos é manifestamente insuficiente, ou mesmo arriscado. Principalmente para alguém como eu que estava (e ainda estou) a começar.

Tenho feito muitas caminhadas de há uns 3 anos para cá. Vira e mexe vejo cogumelos. Tiro fotografias, leio, pesquiso e pergunto online sobre eles, como funcionam, a sua morfologia, o mimetismo, as simbioses... É fascinante!!! Enquanto leigo, estou cada vez mais seduzido. O apelo sensorial de formas, cores, texturas, fragrâncias e sabores, são irresistíveis. É fantástico estar a descobrir e partilhar tudo isto de forma tão intensa. As espessuras culturais, sociais e históricas destes seres, seduzem-me de sobremaneira. Exemplos disso, são os nomes que cada região dá aos boletos em Portugal (pão-de-ló, tortulho...) já para não falar no mundo: EUA são os Burger Bun (Pão de Hamburguer), ceps em França, ou em Itália os porcini. As formas como os preparam também, são muito particulares.

Alice no país das maravilhas, tintim, pai natal, surrealistas, rituais shamânicos e os amanitas das moscas. Quem pode ficar indiferente a estes círculos vermelhos com flocos brancos?

Há uns tempos, passei por um bosque, de folhosas e coníferas, particularmente húmido. Era como se tivesse entrado num documentário televisivo sobre cogumelos. Não resisti. Desde então, vou lá sempre que posso. Coleccionei dezenas de imagens, trouxe boletos, cantarelos e russulas para a cozinha que se vão transformando em perfeitas iguarias. Entretanto apercebi-me da generosidade das pessoas tão interessantes que se encontram nestes fóruns online sobre cogumelos.

De todos, destaco o meu favorito:

http://cogumelosportugal.forum-livre.com

Não é o mais arranjadinho, ou o mais fácil de se colocar uma foto. Mas é onde fui bem acolhido, onde não se importam com as minhas calinadas de principiante, aceitam a minha informalidade e no momento, sem dúvida é o mais animado em Portugal. Lá, sinto-me entre amigos, em casa.

Estou deliciosamente intoxicado. 

Até breve! 

Manel

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Vergaço e Germil: Aldeias perdidas a visitar

Há duas terras perdidas numa estrada que liga Terras do Bouro ao Lindoso. A Primeira Chama-se Vergaço. Infelizmente já lá só vive gente simpática mas de avançada idade. É daquelas aldeias que estão condenadas. Fica no cimo da serra, com panorâmicas fabulosas, carvalhais cerrados por todo o lado. para mim um lugar idílico. Adoraria lá viver. A outra, é Germil, um pouco maior, ainda tem algumas crianças, mas a escola já fechou e vão estudar a Ponte da Barca. É um lugar muito bonito também. Penso que ambas ficam na orla do PNPG.

Germil tem um percurso pedestre marcado, mas que aparentemente ainda não está homologado no site de Federação Portuguesa de Campismo e Caravanismo, nem referido no pedestriasnismo.blogspot.com. Já o fiz. O meu conselho é deixarem o carro em Germil, fazer pela estrada primeiro de paralelo e depois asfaltada até aproximadamente os cabos de alta tensão e aí, tomar a marca que diz para virar à esquerda. A parte superior do caminho, tem uma parte aberta recentemente, que tem  muito tojo e pedra solta. É desagradável e perigosa até. Enquanto a debaixo desenrola-se num carvalhal antigo, entre muros de pedra solta e caminhos de carreteiro,  onde é impossível o caminhanhte perder-se. A descida é íngreme, assim como a subida claro, mas vai dar direitinho a Germil onde há várias fontes para nos refescarmos.
Clique nas imagens para aumentarem

Em Vergaço estavam a fazer a silagem das maçarocas do milho.

Perspectiva de um espigueiro abandonado sobre os carvalhais.

As  ruas de Vergaço são todas cobertas por ramadas.
Mais uns edifícios abandonados, virados para a parte nascente da serra.

Outro espigueiro, este tem o telhado com lajes de granito.

Uma ponte tosca feita com lajes de pedra acima de Germil

Joel, um rapaz da terra, esperto. Ia levar as vacas a pastar no monte. Explicou-me que elas não gostam do caminho carreteiro. É quente, magoa-lhes os cascos e a erva cá debaixo é mais tenra. Depois ao final do dia, elas descem sozinhas. Espertas as vacas.

Amanitas rubescens. identificadas em cogumelosportugal.forum-livre.com. Cheiravam lindamente e são comestíveis desde que bem cozidas para eliminar as toxinas. Nesta fase da sua maturidade parecem pães de hamburguer. O problema é que quando mais maduras são confundíveis com as primas Amanitas pantherinas, altamente venenosas. Coexistem nos mesmos caminhos nestas bandas. Vai daí, nunca arrisquei.
3 Amanita rubescens. Também conhecidas por Vinosas.

Os caminhos de pedra solta entre o carvalhal e um ribeiro que não parava de cantar. Um sonho.

Lactarius piperatus a coisa mais picante que jamais provei. Pior que a pior das malaguetas. Identificada em cogumelosportugal.forum-livre.com.

Esta ponte feita de lajes de granito, atravessa o ribeiro e é um ponto particularmente bonito do caminho. Faz lembrar um jardim zen.

Do outro lado do vale, com o zoom no máximo consegui este pormenor do apicultor a tratar das suas abelhas, num casaco bem justo, para nenhuma entrar e ferrá-lo.

Escusado será dizer que em Setembro, não levo fruta na merenda e encho-me destas amoras suculentas.

Flores silvestres nas alamedas. Daboecia cantabrica, identificadas por Carlos Aguiar. Obrigado!

Penso que são líquenes a crescer sobre o musgo.

Adorava voltar a ver um dia, uma junta de bois a subir um carro destes sobre um caminho carreteiro do alto minho. É uma pena não termos o registo filmado desse esforço, a coordenação entre homem e animais sobre caminhos tão difíceis. Posso imaginar as ordens do condutor, o ranger do eixo, o barulho das rodas nas pedras e a expressão de esforço dos animais. Espero mesmo que alguém um dia lhe ocorra de relembrar esses tempos. Estarei lá.

Mais um programa que aconselho e repito.

Até breve!

Manel

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Percursos com problemas de manutenção e marcação

Terras do Nóbrega, Ponte da Barca

Os bombeiros de Ponte da Barca, tiveram a amabilidade de me ir buscar ao Alto da Torre, quando eu deveria estar perto de Sampriz, porque as marcas do percurso tinham sido levantadas, por terem andado a arranjar o estradão no final do circuito. Quem me disse foi um dos bombeiros que trabalha na Câmara.

É o Percurso das Terras do Nóbrega. Comuniquei educadamente à entidade promotora, via Email, logo a seguir. Isto foi em Maio de 2008 e nunca, se dignaram a responder. Bastava um aviso no seu site, donde fiz o download do percurso, avisando que as marcas tinham sido retiradas. Custa muito? O PNPG através do site do ICNB faz isso. Por exemplo quis fazer o trilho da Silha dos Ursos e no site está lá anunciado que o estradão até ao início do percurso está intransitável.

Mezio - Ribeira de Vilela - Arcos de Valdevez

Sem placa de início de percurso durante todo o verão e outono de 2008. É muito difícil encontrar a ligação entre Ribeira de Vilela e Boimo (por trás da escola), no mezio as marcas confundem-se com o trilho interpretativo do mezio do PNPG e a parte para Bostelinhos também está bastante confusa com muros derrocados e mato cerrado.


Pedra Alçada - Serra D'Arga Caminha

Trilho da Pedra Alçada na Serra D'Arga. Em Agosto passado, eram pouquíssimas as marcas que restavam. Nem sequer a do início do percurso junto à igreja da Arga de S. João. A parte abaixo do mosteiro de S. João D'Arga, quase só de catana. Tudo isto sucedeu após os incêndios de 2005

O Vereador do Turismo da Câmara Municipal de Caminha informou-me por email, que estão a proceder à remarcação deste e outros quatro trilhos na Serra D'Arga. Disse ainda que o CISA, centro de intrepretação ambiental da Serra D'Arga vai reabir e vai haver novos trilhos no Concelho. Boas notícias.

Não posso deixar de observar que são três trilhos do mesmo promotor, a Valimar.

Até breve!

Manel

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Ribeira de Vilela + Mezio - Trilhos para a Primavera

Mezio é tão pequeno que nem chega a ser um trilho, mas é muito bonito. Ribeira de Vilela (também chamado como trilho do Mezio pela Valimar, origina confusões), está mal marcado e com o mato cerrado em muitas partes. É difícil, mas o caminho carreteiro entre o planalto acima do Mezio (antes do parque de campismo da Travanca) e Vilela das Lages e depois a parte que vai da Ribeira de Vilela a Bostelinhos, estão com uma vegetação luxuriante, florida e os regatos todos a cantar na Primavera. Vale bem as arranhadelas por esta altura. Olho vivo porque o trilho está confuso e mal marcado, mas nada de perigoso, acaba-se por dar com ele.
A Parte entre Vilela das Lajes, Boimo e daí até ao Mezio, o fim do percurso, é que pessoalmente já acho um pouco demais, é difícil de encontrar a marca por trás da escola primária abandonada e com declives acentuados para quem já andou aquilo tudo, tem pouco interesse. A minha sugestão é que se tome a estrada asfaltada que lá vai dar direitinha que nem um fuso, também é bonita e tá-se lá em meia hora.
Clique nas imagens para aumentarem

Trilho onde o cheiro a pinho é muito intenso, descendo do miradouro do Mezio para um bosque de folhosas
Abrigo de pastor com o redil debaixo de faias e bétulas. O lugar certo para um descanso e merenda.

Regato perto de um redil feito com esteios para garranos, no meio do bosque

Redil de esteios com pasto para garranos

Bosque misto no Mezio

Os garranos por esta altura andam em manada. Acho que para proteger as crias muito jovens ainda

Gado barrosão no planalto acima do Mezio. Daqui é que se desce por um carreteiro até Ribeira de Vilela. Paisagem fantástica mas caminho duro.

À procura de uma sombra entre as pedras quentes do caminho carreteiro

Flores nos muros de pedra solta

Ribeira de Vilela dá para refrescar

Caminho para Bostelinhos, verde e florido e com muita água

Confluência de duas ribeiras em Bostelinhos

Carvalhal, todo verde

Prado florido em Bostelinhos

Até breve!

Manel