sábado, 29 de Agosto de 2009

Naturidades, o meu novo blogue



Colaborando com o Carlos Venade na Quinta de Cete, criámos o www.naturidades.com. Uma marca para desenvolver uma série interessente de actividades na natureza.

Venham ver. Nós agradecemos e estamos convictos que vale a pena.

quarta-feira, 29 de Julho de 2009

Vários conceitos interessantes num vídeo só

Achei este vídeo uma lição para descomplicar a vida. Carregado de humor, pretende tornar simples o que se considera complexo e ao alcance só de alguns.

É impossível ficar-se indiferente ao conceito de "on button player", bem como à perspectiva de viver e desfrutar o "long run", em vez de por a atenção na conclusão.

Tudo isto à volta da música clássica

Até breve!

Manel

terça-feira, 7 de Julho de 2009

Plantas carnívoras

Isto para alguns vegetarianos, deve ser uma aberração...

segunda-feira, 15 de Junho de 2009

Dice el árbol, aos incendiários e não só...

Tília e Faia bi-centenárias da Quinta de Cete - Paredes (contemporâneas de Monteiro Lobato e Domingo Faustino Sarmiento)

Num livro publicado em 1947, Monteiro Lobato, incorporou este texto de Domingo Faustino Sarmiento (1811 - 1888) no "Conto Argentino", sobre uma criança que, inocentemente, retira a casca de uma macieira. Nesse conto, Lobato reforça e actualiza para a sua época, o argumentário em defesa das árvores.

Hoje, à escala global, projectos como Home, voltam a fazer o mesmo, avisando-nos agora que estamos a por em risco a nossa própria existência. Talvez tenhamos que ir à essência do problema: A estupidez humana, resistente à passagem de séculos e gerações.

Dice el árbol

Tú que levantas contra mí tu brazo
antes de hacerme daño mírame bien.

Soy el calor de tu hogar en las largas y frías noches de invierno.
Soy la sombra amiga que te protege contra los riesgos del sol.
Mis frutos sacian tu hambre y calman tu sed.

Soy la viga que soporta el techo de tu casa.
La tabla de que está hecha tu mesa, y la
cama donde duermes y descansas.

Soy el mango de tus útiles de trabajo
y la puerta de tu casa.
Cuando naces,
tu cuna es de mí madera y
cuando mueras, tú ataúd lo será también,
y te acompañaré al seno de la tierra.

Soy paño de bondad y flor de belleza.
Si me amas como merezco, defiendeme de los insensatos.
hazme respetar. Soy el árbol.

Domingo Faustino Sarmiento

(Retirado do blogue Edutopias)

sábado, 13 de Junho de 2009

Eat the weeds: blogue e canal youtube

Muita informação sobre plantas comestíveis e outras coisas:



Até breve!

Manel

sexta-feira, 12 de Junho de 2009

Home O Mundo é a nossa casa

Estou a ver este documentário aos "fascículos" uma vez que são quase 2 horas. Porém recomendo-o vivamente, principalmente a quem tiver crianças em casa (já com alguma paciência...):



O Site também vale a pena ser visitado

Até breve!

Manel

PS - Obrigado Crix!

quarta-feira, 10 de Junho de 2009

Patos na berma


O carro avariou na antiga estrada Porto-Viana. A única coisa interessante deste episódio, foram dezenas de patos, num campo encharcado na berma da estrada. Espertos os bichos: Fazem poiso onde não lhes podem dar um tiro.

Até breve!

Manel

terça-feira, 19 de Maio de 2009

Rebentos


Esta semana resolvi experimentar germinar alguns rebentos. Ao todo são nove variedades. Cortei garrafas de plástico de 1,5 e 2 litros a meio, coloquei uma a duas colheres de sementes para rebentos em cada uma, enchi com água até menos de metade, tapei com rede de mosquiteiro segurando-a com um elástico. Agora estão a hidratar até amanhã. Depois eu descrevo as próximas etapas e resultado final.

Na manhã seguinte, escoei a água pelo mosquiteiro, enchi os recipientes pelo meio, misturei tudo e drenei novamente, deixando-os com a rede para baixo, por 15 minutos, ter a certeza que ficavam húmidos mas não ensopados. Repeti esta operação por mais dois dias (3 ao todo).

Fiz uma salada de verdes com tomates cereja, queijo fresco  uma mistura dos três rebentos que cresceram melhor, mais coloridos e saborosos: alfafa, feno grego e couve roxa. Para a próxima vou experimentar germinar estas três variedades na mesma "garrafa".

Feno grego
Couve roxa
Alfafa

Até breve!

Manel

sexta-feira, 1 de Maio de 2009

Supless. Entre músicas e iguarias


Assim foi uma noite tranquila e bem passada, no Supless em Matosinhos. Um lugar onde somos muito bem recebidos, ouvimos música ao vivo e deliciamo-nos com as iguarias, tanto servidas à mesa, como à nossa disposição por todo o lado. Ontem tive a sorte de ouvir o Ruben Santos, acompanhado por um amigão, o Paulo Bastos. Vou voltar.

Até breve!

Manel

segunda-feira, 27 de Abril de 2009

Plantas e histórias

(Colecção muito interessante de suculentas à entrada, plantadas num sem fim de curiosos contentores)

Sobranceiro ao Rio Âncora, há um lugar onde me senti muito bem. A casa e um terreno, onde Ana, Luís e seus dois filhos já fizeram e continuam a criar, algo mais especial do que um jardim: É a integração plena e harmoniosa, com o ambiente silvestre onde se insere. 

A casa foi recuperada pelo Arqtº Luís Sena Esteves. Quanto a mim, foi mais longe. Conseguiu valorizar, tornar funcional e confortável, um edifício rural e humilde do Minho, mantendo e reforçando ao mesmo tempo, a sua essência.

Não resisti e, mesmo não lhes pedindo autorização, comecei a fotografar compulsivamente.

Este texto nunca ficará completo. Seria bom se eles tivessem um blogue sobre este seu refúgio para partilhar connosco aquilo que eu tive o privilégio de ouvir, ver, sentir, cheirar e provar durante um dia. São as histórias das plantas, da reforma da casa, dos animais que eles criam. Tudo isto passado com um entusiasmo e dedicação contagiantes.

Entretanto, proponho que deixem comentários aqui, sobre as fotografias, para ir melhorando a informação. Em breve, espero visitá-los outra vez, para ir vendo as novas florações de Primavera deste jardim, bem como ouvir um pouco mais das histórias destas plantas.
1. Ana, onde estava mesmo este tanque? Dentro de casa? Havia sérias dúvidas se continuaria lá ou viria para o jardim. Acho que não poderia ter sido mais bem empregue.
2. Banksie lutea em flor. As rosas antigas merecem uma atenção especial aqui.
3. Rosas numa pérgola à entrada

4. Uma rosa simples, de uma cor intensa. A folhagem é brilhante e revestida por uma "penugem"

5. formas, tons e fragrâncias fantásticas.

6. Arbusto do morango. Mais uma novidade para mim. Estas flores de uma consistência dura e deste tom fantástico, exalam um cheiro intenso a morango.

7. Salvia tricolor

8. Oregão dourado?

9. Num pequeno lago, foram colocadas algumas rãs do rio. Elas gostaram da sua nova casa.  Hoje são um um divertido coro

10. Na eira, há três vasos com cactos. A folha deste fascinou-me. Parece registar cada ciclo de crescimento num bonito pontilhado.

11. Cacto em "rosácea" de dois tons

12. Este enfeita-se, encaracolando umas fibras

13. Pega-se numas florzinhas totalmente silvestres, mudam-se para o local certo, cuidam-se e consegue-se este resultado. Parece que o jardineiro nunca aqui passou. Talvez não, O jardim é mantido pela família.

14. Num socalco mais baixo, próximo do rio, há um carvalho com uma copa que toma todo o espaço. Uma pequena floresta.

15. Canela no colo da Maria. Hoje é o meu animal favorito da Quinta de Cete

Até breve!

Manel

segunda-feira, 20 de Abril de 2009

Allium triquetrum

Numa oficina no CMIA de Vila do Conde, com o Carlos Venade, ouvi dizer que esta ervinha silvestre, aparentemente insignificante, é uma potente aromática. Parece cebolinho mas o caule e a flor, são muito mais fortes.

Prova disso, é esta manteiga que fiz, inspirada numa receita do Carlos.

Veja as receitas, passo a passo no blogue da Quinta de Cete

Hoje à noite, ainda vou fazer uma omelete com esta erva e queijo. Depois digo-vos como ficou.
Aqui está ela. Deliciosa!


Até breve!

Manel


terça-feira, 7 de Abril de 2009

Oficina Ervas Aromáticas - Identificação e Utilizações

Ora aqui está uma actividade que vou fazer tudo para assistir porque:

1.º É no CMIA de Vila do Conde, onde já frequentei uma outra que incluia cogumelos silvestres, em que aprendi muito

2º É com o Carlos Venade. Um excelente animador e grande conhecedor deste tema. Vale mesmo a pena conhecê-lo e ouvi-lo

Links para o CMIA: Site  e  Blogue

Até breve!

Manel

Clique nas imagens para as ampliar e ler melhor as informações



Blogue da Quinta de Cete

Quinta de Cete é um oásis de história e biodiversidade, na freguesia de Paredes, com o mesmo nome.

Perguntei à Bgi, a sua proprietária e minha amiga, se poderia pensar num blogue sobre a quinta.

Foi inaugurado hoje. Com isto, prentendemos partilhar a história e quotidiano da quinta, pela internet.

Visitem, e comentem.

Até breve!

Manel


A casa principal

Árvores de grande porte e com folhagens contrastantes
Miosótis. Uma das muitas flores silvestres que decoram os caminhos da quinta por esta altura.

segunda-feira, 30 de Março de 2009

Flores em quintas

Este fim de semana, tive o privilégio de estar em duas quintas. Até aqui nada de especial. Porém tinha a máquina fotográfica a jeito e resolvi registar a floração tanto de espécies silvestres como outras, um pouco mais domesticadas, mas não muito. Daí, parte do seu encanto também.

Quem ler esta mensagem e me puder dar umas dicas na identificação, eu agradeço.  Desde já agradeço à Ana e à Crix, pelos valiosos contributos.

Arménia, são rosas sim senhor. Obrigado.  Mas são tão engraçadas, pequeninas e formando estes tufos. Alguém sabe mais alguma coisa sobre elas?

Quinta das Pintas - Arcos de Valdevez 
1 - Rosa banksiae 'Lutea'. É um palpite de ChloeP
2 - Rosa banksiae 'Lutea'
3 - Rosa banksiae 'Lutea'

4 - Lamium galeobdolon
5 - Chelidonium majus(erva das verrugas)

6 - Pentaglottis sempervirens

7 - Weigelia florida

8 - Weigelia florida

9 - Allium triquetrum

10 - Lunaria annua
Quinta de Cête - Paredes

11 - As mesmas rosas das Pintas
12 Violetas silvestres ou Viola(talvez odorata)
13 - Lamium purpureum
14 - Miosotis, Forget-me-not em inglês. Não me importava de lhes chamar não me esqueças...
Adicionar imagem
15- Polygonatum odoratum(Sêlo de Salomão). Nunca tinha  visto esta. Acho lindíssimas.
16 - Silene alba

Até breve!

Manel


Criar Bosques



Ao contrário dos últimos dois anos, onde em relação a incêndios, vivemos um relativo estado de graça, este ano já estão na ordem do dia.

Não tenciono  apresentar fotografias de troncos queimados, ser mais um a insurgir-me contra esta calamidade ou acusar quem quer que seja.

Em vez disso, aderi ao projecto CRIAR BOSQUES. Estou disponível para, nas minhas caminhadas, recolher sementes de espécies definidas nesta iniciativa e também participar na plantação de árvores.

Alguém mais vai alinhar?

Até breve!

Manel

quinta-feira, 26 de Março de 2009

Porto - escadarias

Num domingo de Outubro do ano passado, deu-me para subir da Ribeira à Sé, atravessar para o largo da polícia na Batalha e depois descer por umas escadarias que vão por baixo da Ponte D. Luís.

Fui tirando umas fotos e o resultado é este.

Até breve!

Manel


























domingo, 22 de Março de 2009

Figuras de pedra










Até breve!

Manel

sábado, 21 de Março de 2009

Caesar Salad para começo de Primavera

Adoro esta salada!

Vai daí, resolvi deixar duas versões desta receita em vídeo. 

Esta primeira, é moderna e prática, com duas variantes: frango e salmão, muito interessantes.

A segunda, provavelmente mais próxima da original, onde não se usava pasta de anchova, nem maionese e servida apenas com alface romana em folhas inteiras, supostamente para serem comidas à mão. Diz-se ainda, que o Chef Cardini recusava-se a usar anchovas no seu molho. Parece que o leve sabor a este peixe assardinhado, provinha do molho inglês. Quem não gostar não ponha. Eu cá, acho que ficam bem. Há um truque para diminuir o seu gosto activo ou muito salgado que é demolhá-las por meia hora em água morna e depois escorrê-las numa peneira.

Por último, proponho uma versões "aportuguesadas". À primeira, no molho, substitui-se a pasta de anchova, por pasta de sardinha. Nos ingredientes da salada, coloco umas azeitonas pretas às rodelas e sem caroço, pimentos vermelhos assados às tiras e por último, posso optar na mesma por frango, salmão, ou ainda uma boa lata de filetes de sardinha em azeite, escorridos e cortados em pedaços grandes.

Há mitos e controvérsias à volta desta receita. Tudo pode ser lido no wikipédia. São dados biográficos do autor, bem como suposições e/ou factos sobre a sua criação. 

apetite!

Manel 

sábado, 14 de Março de 2009

Pelas fragas da Calcedónia

Deste vez resolvi perder-me por entre as pedras da Calcedónia. Deixei o carro lá em cima, no desvio para outro trilho que vai dar ao mirador da boneca (muito pouco interessante).
Não me canso de fotografar estas fragas. Cada ângulo exibe pormenores diferentes.
Pequeno bosque de carvalhos velhos, entrelaçados de trepadeiras e todo coberto de erva. Ao fundo vê-se um maciço granítico que contornei. Parece que é conhecido pelo Tonel (2 fotos seguintes).


Depois do tonel. avista-se em frente o Cabeço da Calcedónia.

Por todo lado, formas fantásticas.



Figura de pedra, mesmo no meio deste caos granítico.


Para além de tímidas violetas silvestres, encontrei estas pequeninas flores rasteiras que são Narcissus bulbocodium (Campainhas-amarelas; Campainhas-do-monte; Cucos), identificados por rosa do Blog dos Cheiros.

Mais uma escultura com as serras a servirem-lhe de fundo.

Carvalhos nas passagens estreitas entre as fragas.

Medronheiro contorcido entre as pedras

Carvalho que a dada altura tombou sobre a pedra e assim ficou, continuando a crescer.


Entrada na fenda

Parece que andou aqui um gingante a brincar, ou a fazer mega-mariolas.

Uma laje redonda, quase como uma moeda, em pé.

Lagartas no caminho. São processionárias. Crescem em casulos de dimensões assinaláveis e por esta altura devem cair ao chão todas enroladas umas nas outras, ficando assim a se contorcer. Não devem dar grande saúde às árvores. Também identificadas por Rosa do Blog dos Cheiros.

Até breve!

Manel

sexta-feira, 13 de Março de 2009

Paulo Moura - Arboricultor

Paulo Moura, arboricultor, meu fornecedor nesta área e um amigo.

Fora isso, é alguém que entende mesmo da poda e faz o que gosta.

Recomendo-o vivamente.

Até breve!

Manel

quarta-feira, 11 de Março de 2009

Paul Stamets - O que os cogumelos podem fazer por nós

Ele acredita que os cogumelos podem-nos ajudar a salvar o mundo. Deixo aqui uma das palestras deste homem que, pelos vistos passa esta mensagem por todo o lado:

Neste outro vídeo, ele dá apoio a uma equipa, numa  experiência de "descontaminação/decomposição" de esteiras de cabelo humano, usadas para limpar crude ou óleo (penso eu) derramado por um navio na baía de S. Francisco. Segundo ele, os cogumelos são capazes de decompor estes resíduos. Mais pormenores em Matter of Trust

Se ficarem mesmo curiosos, então sugiro o podcast de uma entrevista numa estação de rádio. Pode ser acompanhado com a transcrição escrita o que ajuda a compreensão. Se usarem headphones, fica ainda mais fácil.

No fórum CogumelosPortugal, abri um tópico sobre este homem. Vamos ver que tipo de opniões ele suscita nos seus membros...

Até breve!

Manel

quinta-feira, 5 de Março de 2009

Gerrilhart: O outro blogue

The flower chucker


Há uns tempos atrás, tive a sorte de ver um livro fabuloso do inconformado Banksy, o Piece and Wall. Então resolvi pesquisar na net sobre ele e outros artistas de guerrilha. Daí comecei um blogue novo, é o:

guerrilhart

Espero que gostem e divirtam-se.

Manel

terça-feira, 24 de Fevereiro de 2009

O "alfarrabista" digital: Internet Archive

Este tópico serve apenas para comunicar a todos aqueles que têm interesse por livros e publicações antigas, da existência do Internet Archive. Parece que há lá de tudo, mas por exemplo, fiz uma busca por "mushroom" e de repente estava literalmente a folhear um guia de 1902, com fotografias da época e imensa informação sobre cogumelos. Esse livro é o The Mushroom Book. Vejam e depois façam as as pesquisas, em função dos vossos interesses.

É tão real que quase espirro com o mofo e o pó...

Até breve!

Manel 

terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009

Os garranos e eu

Gosto dos garranos. No fundo invejo o seu compromisso entre a condição selvagem, livre, o olhar dócil e o facto de nos tolerarem a uma distância segura.

Fico indignado com a crueldade, quando estes animais são alvo de chacinas, como a que a aconteceu há cerca de dois anos na zona de paisagem protegida do Corno do Bico, Paredes do Coura, onde vários cavalos foram abatidos a tiro, ou deixados a agonizar. A causa? Não se sabe, fala-se de rixas entre vizinhos. Provavelmente a justiça vai morrer solteira...

Fora isso, imagino que sejam ainda as presas de maior porte dos lobos. É comum ver ossos limpos que parecem de cavalos, espalhados pelas partes altas das serras. Mas nunca se encontra uma carcaça ou um esqueleto.

Mas vamos falar de coisas mais alegres. Segundo li, é uma raça de origem celta, muito primitiva e considerada em perigo de extinção. As ameaças são os agricultores  que não gostam da sua condição de animais livres, pois danificam-lhes as culturas quando o mau tempo aperta e eles descem das montanhas, bem como os cruzamentos com outras raças. 

É um cavalo de porte atarracado e robusto, bem adaptado à montanha e à intempérie. Para quem estiver interessado, há diversos sites e blogues sobre os pormenores e carecterísticas da raça, é só googlar - garrano. Eu vou ocupar-me mas com os garranos do Minho e o que eu posso aferir daí. São opiniões pessoais, posso estar enganado. Se assim for, por favor, comente este tópico e corrija-me.

Clique nas imagens para aumentar

Potro num redil feito de esteios com pasto, no meio de um bosque no Mezio no final da Primavera de 2008. Quase todos os garranos presos, quando nos aproximamos vêm ter connosco. Não acredito que queiram "festas", apesar de não se importarem de ser tocados. Estou quase certo que se os soltarem eles piram-se sem hesitar, sem voltarem para trás para mais carícias, como faria um cão, por exemplo. Esta é a diferença entre o garrano livre e o cavalo de sela ou tracção. É que o garrano vê o redil e foge, enquanto os seus primos domesticados, vêm a calariça e até aceleram o passo para ela, onde sabem que ali vão ter descanso, comida e tratamento.

Este cavalo foi fotografado no final da Primavera no planalto do Mezio. Saliento dois aspectos. O primeiro é que os garranos já apareciam em manada mas dispersa, como se vê pela imagem é um aqui outro ali. O segundo é que este exemplar, de todos os que vi, é o que mais me fez lembrar os das pinturas rupestres ou os das descrições dos garranos mais genuínos. 

Cinco ou seis semanas depois, muito perto daquele mesmo planalto, uma manada, com muitas crias a descansar debaixo destas coníferas. Reparem como estão todos muito juntos. Os adultos estão com as cabeças bem altas. Nunca os tinha visto tão atentos a mim. Nem pastam.

Fiquei entusiasmado com esta cria a mamar. Talvez um pouco demais. Escondido, em pé atrás do tronco de uma árvore.

Este macho não achou graça nenhuma, eriçou-me a crina, abanou as orelhas várias vezes e arreganhou as gengivas. Então um garrano mais novo passou por ali e demonstrou nele o que estava a sentir, expulsando-o da manada a galope e mordendo-lhe os quadris, passando os dois, nesta perseguição a dois metros de mim.

Quem devia estar àquela distância dali, era eu. Por minha culpa, o pobre do jovem macho foi parar longe da manada, tipo de "castigo". Aprendi a lição. Nunca mais me aproximo tanto de manadas com crias tão novas.  

Branda de Poulo da Seida - Gavieira, Serra da da Peneda. A história podia ser igual à anterior. O adulto está a encarar-me. Mas desta vez, fiquei mais longe, aninhado atrás de uma pedra, em vez de ficar em pé e usando a zoom.

Apesar de ainda olharem para mim, um macho até se deitou à minha frente e esponjou-se na erva, o confiado.

Quando me vim embora, já não me ligavam nenhuma. Nem os adultos, nem as crias. Era como se ali não estivesse. Esta foi a manada de garranos mais bonita que já vi.

Entrando pelo Verão, as crias crescem um pouco e deixei de ver as manadas. Vê-se as éguas preocupadas a pastar com uma cria. Aqui no Mezio em Agosto, um garrano, está tão ocupado em pastar que nem se importa de servir de fundo de foto para a Isabel.
Dois garranos pastam tranquilamente em Setembro no Curral do Vidoeiro, Gerês.
Já em Outubro, esta fêmea que parecia prenha e a cria em baixo no Mezio, andaram comigo, mais de meia hora. Eu fotografava cogumelos, eles pastavam. Tentei tirar-lhes uma foto com a cara para cima, foi impossível. O comportamento é completamente diferente do de há uns meses atrás quando as crias eram pequenas. Parece que agora o que importa é arranjar nutrientes para o Inverno que aí vem.


Outubro, Trilho do Castelo, Terras do Bouro, a cena repete-se, não levantam a cabeça para a fotografia, nem por nada. É pastar e andar, calmamente a passo pela floresta.
Há umas semanas atrás em Sistelo Arcos de Valdevez. No meio da neve e frio. Com pouco pasto, já nos olham languidamente e com a pelagem densa comprida e fosca do Inverno. Quem sabe trazemos um fardito de feno... e já não mostram o vigor do final do Verão coitados. Aguentem só mais um pouco. A Primavera e o pasto verde já estão quase aí!

Até breve!

Manel

PS - Conheço dois lugares com manadas de garranos bem numerosas. A mais interessante,  no Trilho da Mesa dos Quatro Abades, Freguesia de Refoios, Ponte do Lima (entre Vacariça e Sra do Monte). A outra em S. Lourenço da Montaria, mais para os lados de Vila Praia de Âncora (interior). Esta última talvez mais dispersa nem sempre fácil de encontrar. Com sorte, pode ser avistada perto do santuário da Sra. do Minho.

segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2009

Líquenes?

Vira e mexe dá-me para os fotografar. No fundo, é o mesmo que me atrai nos cogumelos ou nas plantas. Só que ultimamente, tenho vindo a prestar-lhes mais atenção. Ou pelo menos, no que julgo serem líquenes, talvez em fases mais jovens e interessantes de maturidade, onde apresentam cores mais vivas, formas mais atraentes e texturas também mais apelativas.

Se alguém vir este tópico e perceber que estou para aqui a dizer grandes asneiras, confundindo líquenes com outra coisa qualquer, por favor, não hesite em corrigir-me, eu agradeço.

(Clique nas imagens para aumentar)

Berma de um carreteiro nos Arcos de Valdevez, entre musgo e outros líquenes. Confundi-os com cogumelos. Tinham 4 a 6 cm de comprimento e uns chapéus com vários lóbulos encarnados vivo, com cerca de 5 mm. Fev.09. Parece tratar-se mesmo de um líquen: Cladonia macilenta. Identificado em CogumelosPortugal.


Tapete fofo de musgo e umas agulhas verde esmeralda que julgo serem líquenes. Na Branda de Crastibô, Arcos de Valdevez. Fev.09

Dunas de S. Jacinto, Aveiro. Minúsculas taças cónicas desta bonita cor, entre outros líquenes mais espalmados, sobre solo arenoso e debaixo de pinheiros. Fev.09

Carreteiro em Germil, Ponte da Barca. Parece que está fixo ao musgo na vertical por "velcro" na parte anterior. Set.08

Também em Germil, galhos, cobertos por pequenos ramos, verde acinzentados que fazem tufos e têm um leve aroma, até agradável. Jan.09
Corno do Bico, Paredes de Coura. Um penedo inteiro coberto por estes flocos, cada um tem mais ou menos, o tamanho palma de uma mão. Mar.07.


Até breve!

Manel

domingo, 15 de Fevereiro de 2009

Vale Glaciar do Vez com Vagabundeandos: Há pelo menos um carro de bois a ranger sobre os carreteiros...

Foi uma caminhada dura para mim. Acho que estou em baixo de forma para tanto carreteiro. Obrigado Vagabundeandos, pela paciência  e esperarem aqui pelo caracol.

É um percurso de brandas, muito bonito, todo ele feito por carreteiros íngremes e caminhos de pastores. Um dia muito bem passado e que me fez muito bem!

Quando vi e ouvi um carro de bois ranger pelos carreteiros, senti-me um privilegiado. Afinal esta rede imensa de caminhos de pedras com os trilhos dos carretos dos ainda faz juz ao seu nome. Os últimos carros de bois ainda rangem em cima deles, para os lados de Sistelo. Outro dia, vi por baixo de uma casa, vários carretos em bom estado, todos guardados em Germil, se calhar, lá na altura das colheitas ou vindimas, também os devem usar...

(Clique na imagem para a aumentar)

A neve do último mês derreteu, engrossou o caudal dos ribeiros que alagaram as partes mais baixas dos carreteiros

Serão cogumelos? Identificado em  cogumelosportugal
Afinal parece que são líquenes: Cladonia macilenta.

Qual seria o uso destes edifícios isolados e tão sólidos no meio da montanha, onde apenas existem uns campos, onde só  deve crescer feno para o gado? Currais em baixo e silagem de feno para os animais em cima?

Uma das muitas escarpas que contornámos no caminho, fotografadas à pressa, pois havia muito chão para andar...

Uma branda, já bastante alta, com uma fonte de água muito fresca no meio mas, daqui ainda haveriamos de subir bastante.

Vista deslumbrante deste local

Cá está ele, fotografado de longe, com a zoom no máximo. Uma carga de lenha, quem sabe para se aquecerem, fumarem uns enchidos ou cozerem um belo pão. O ranger do carro, encheu a serra e a minha alma. Se ainda houver daqueles com eixo e rodas de madeira, vou ver se consigo filmá-los este ano.

Branda do Crastibô - Fantástico e intrigante!

Das brandas que já visitei, esta é a mais interessante. Os seus cortelhos, sugerem que inicialmente tenha sido usada apenas como uma branda de gado. Depois deve ter passado para branda de cultivo. Daí os currais maiores, os fornos, os campos de centeio, talvez batata. As brandas de gado foram transferidas então bem mais para cima. A inverneira, ou seja, a habitação permanente desta comunidade pastoril, ainda deve ser Porto Cova, onde iniciámos o trilho.


Cortelhos, como os de Poulo da Seida, na Freguesia da Gavieira

Tive a sorte de ver a actividade pastoril na Branda de Gorbelas quando estavam a cortar e silar o feno. Era muito mais pequena que esta. Agora imaginem o que deveria ser esta comunidade nos seus tempos áureos. Será que um dia, os produtos autóctones irão voltar a ser revalorizados e estas comunidades possam ser reactivadas, com esta ou outras actividades eco-sustentáveis? Desabafos de um utópico...
Ribeiro que passa pela Branda de Crastibô
Tapete denso e fofo sobre o muro de pedra solta na Branda de Crastibô. Será musgo e líquen?
Despedimo-nos de Crastibô com o sol a sumir por entre os seus currais sem telhado


Última perspectiva do Vale Glaciar do Vez, já no final do percurso

Quero agradecer aos autores do texto "Pastoreio livre no Norte de Portugal". São eles Adelino Gouveia, José Vieira Leite e Rui Dantas. Desde que subi até à Branda de Poulo da Seida que pergunto e pesquiso sobre o funcionamento destas comunidades e que os cortelhos me intrigam. Nem que fosse mais sintetizada, era este o tipo de informação interessante que eu gostaria de ver impresso nas centenas de quilos de papel produzidas anualmente pelas autarquias, turismo, icnb, associações de desenvolvimento regional, e demais organizações envolvidas na promoção desta área. Algum com interesse questionável. Aos  autores, muito obrigado. 
O texto completo está disponível nesta página da SPER. Procure por "Pastoreio livre no Norte de Portugal.

Até breve!

Manel

PS - Se gostou deste tópico, veja também o do trilho das brandas

quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2009

Sol finalmente nas Dunas de S. Jacinto

Já estava farto de estar em casa, ver o céu desabar água e vento.

Hoje fui  às Dunas de S. Jacinto. Terreno fofo e plano para recomeçar a esticar as pernas.

Uma excelente tarde, para sentir leves indícios de uma Primavera ainda longínqua e o final de um Inverno, em que as aves de arribação ainda não lhes deu para rumar a norte.

Quem quiser ajudar-me na identificação de espécies, eu agradeço.

Clique nas imagens para as aumentar 
Joaninhas. Havia várias sobre esta planta. Indícios da Primavera, ou apenas uma pinta vermelha que já me faz feliz?
Arbusto despido de folhagem, só com este tipo de floração. Salgueiros, identificados por Rafael Carvalho do Blogue Arquitecto D'ouro
Arbustos densos com uns bagos curiosos vejam na imagem debaixo. São sabinas-da-praia (Juniperus turbinata), identificadada por Rafael Carvalho. Segundo consegui apurar, os bagos usam-se para aromatizar aguardente. No entanto estou curioso para saber se também dão para usar como tempero, como os bagos daqueles zimbros com as folhas mais "espinhadas" (desculpem a minha ignorância).

Aproximando-nos do mar embrenhamo-nos num pinhal de troncos finos e retorcidos. Efeitos da intempérie?
Longo passadiço, recentemente restaurado, sobre duna com flora diversa protegida, que nos leva até ao mar.
Estou tão curioso sobre estas pequeninas taças verdes cónicas. São líquenes?
Cresciam na berma do caminho, debaixo de pinheiros baixos, num local sombrio, sobre solo dunar, arenoso claro, entre outras formas do que me parecem ser também líquenes.
Centenas de patos, descansam tranquilamente nas lagoas protegidas com cercas altas

Cercas protegem a natureza da estupidez humana. Se esta não existisse, sob as mais diversas formas, como a caça, poluição, urbanismo desenfreado, ou simples desinformação e descuido, a maioria dos nossos cursos de água, poderiam hoje apresentar cenários como este.

Até breve!

Manel

domingo, 18 de Janeiro de 2009

Cogumelos - overview da minha primeira temporada

Nota prévia:
Isto é apenas um overview descomprometido da minha primeira temporada de identificação amadora e entusiasta de cogumelos.
Lá porque os fotografei,
não quer dizer que sejam comestíveis.
A larguíssima maioria não o é. 
Work-in-progress - Conforme tiver tempo, vou legendando cada imagem.

______________________________________

Tenho tanto para aprender e descobrir sobre cogumelos. Há tantas espécies que quero encontrar e ainda não dei com elas. Afinal, só comecei a prestar mais atenção a estes seres à menos de cinco meses.

O pouco que sei, devo-o em grande parte, aos elementos do fórum

Participei ainda em duas actividades, uma promovida em Abrantes na EPDRA,  em parceria com uma associação micológica, e Ecofungos. Foi tempo muito bem empregue, no que se refere a cogumelos de cultivo. Tenho observado a sua agenda. Têm um calendário intenso e interessante de actividades e saídas de campo. Uma equipa fantástica e um fórum online bastante animado também.

Por último, tive a sorte de participar numa actividade, meia micológica meia sobre ervas aromáticas no CMIA de Vila do Conde. Entre a equipa do CMIA e o Carlos Venade, foi mais um dia muito bem passado.

Não descobri apenas a cogumelos. Mais importante, são as pessoas que vamos conhecendo, com os mesmos interesses e com que hoje mantenho um contacto regular, à volta não só deste tema, mas também gastronomia, caminhadas e outros. Isto é como as cerejas...

Acho que estes seres, ainda têm muito para me revelar.

Algumas imagens de cogumelos que encontrei até agora. Quando estão identificados, foi, na maioria das vezes com a colaboração do cogumelosportugal.forum-livre.com

Até breve!

Manel


Clique na foto para as aumentar
Laccaria amethystina. São de um púrpura intenso e delicados. Já tinha encontrado outros em Ponte da Barca. Mas estes, em Castelo de Paiva, tinham o chapéu com 8 cm. São comestíveis com um aroma agradável. Mas por não terem muita substância, se um dia fizer uma colheitazita duns poucos, vou usá-los misturados numa salada, ou para saltear com uns espinafres.
Tremella mesenterica no tronco de carvalho em Paredes de Coura. Eram duas na mesma árvore, com o volume de uma mão grande, fechada. Formam bolsas com a textura de algas desta cor lindíssima. Foi em Dezembro que as encontrei e havia neve no chão da floresta. Outra espécie que já tinha encontrado, em ramos caídos, mas com dimensões mais pequenas.
Hydnum repandum ou pé de carneiro. É um cogumelo que também encontrei muito tarde no frio. Foi a minha última colheita micofágica. Dizem que os de maior tamanho são mais amargos. Esses usei para fazer uma sopa com grão de bico. Deliciosa. Os mais pequenos salteei com alho e ervas, óptimos. Têm uma textura levemente enfarinhada, são carnudos e sabem a aveia. Em vez de póros ou lâminhas têm agulhas que se desprendem com muita facilidade.
Calocera Viscosa. Não imaginam o tempo que perco a fotografar e contemplar uma coisa destas, quando as encontro pela primeira vez. Como é que num monte a 700 metros de altura entre a neve e o frio, em cima de um cepo de uma conífera coberta de musgo, vamos encontrar seres vivos tão parecidos a corais, aquáticos e tropicais?
Armillariella mellea completamente queimados pelo frio. Quando maduros, são cor de mel (daí o mellea, acho). O nome do género também é curioso. Será por causa de uns pontinhos prateados que tem no chapéu, uma referência à esfera armilar? - Conseguem ver o que estou a dizer nestes da imagem a seguir que encontrei em casa de uns amigos?

Provei um pouco de um chapéu e era muito desagradável. Ácido e amargo. Já li que os carpóforos novos podem ser comidos desde que cozidos e que cru é um pouco venenoso. Há histórias que os primeiros colonos dos EUA, comiam-nos e chamavam-lhe "honey mushroom". Não fiquei lá muito entusiasmado. Mas são bonitos, acetinados com as estrelinhas prateadas.
Recentemente no fórum apareceu um post, afirmando que o maior organismo do mundo, foi encontrado também nos EUA em 1992 e era constituído por uma "estrutura" de  uns cogumelos (os quais, são só os frutos) próximos a estes, os Armillaria ostoyae, com 2.400 anos e dimensão superior a 1.220 campos de futebol. Sendo que nasceu de uma partícula microscópica. É parasita de madeira viva, logo não dá lá muita saúde às árvores vizinhas.
Amanita muscária no Pinhal de Ovar. Para mim, a espécie mais fotogénica. Sobre ele, fala-se e escreve-se muito. Rituais shamânicos, contos de fadas, expressões surrealistas, desenhos animados. Quem é que ainda não viu uma ilustração, pintura, brinquedo ou um simples adorno de um cogumelo vermelho com  pintinhas brancas? 
Outra Amanita muscária. Esta foi a primeira que encontrei. Acho que por estar num solo não arenoso, as partes brancas do chapéu, não são "polidas" pela areia e ficam mais proeminentes. Estas variações da mesma espécie em habitats diferentes, são outro desafio na identificação. Isto para já não falar das formas e cores que assumem enquanto amadurecem. Mais maduros que estes dois, os chapéus são planos e começam a ficar alaranjados.  
Macrolepiota procera. Com um chapéu de 30 cm, carne fofa, leve e frágil. Todo ele é constituído por lâminas enormes. O pé é uma cana com 40 cm. Tem imensos nomes populares, como roca, frade, púcara, guarda-sol. Azeite e flor de sal numa frigideira em lume brando, são um manjar!
Penso tratar-se de um Xerocomus badius, fotografado e Castelo de Paiva. Mas é uma identificação incompleta que aguarda próximas frutificações.
Paxilus involutus. Este cogumelo era considerado comestível e hoje é tido como venenoso, podendo mesmo provocar a morte se for ingerido regularmente e com frequência.
Provavelmente uma Mycena ou um género próximo (satélite). O rigor na identificação no fórum, não permite por vezes, irmos longe na identificação. As minhas descrições, nem sempre ajudam, também. São cogumelos lindos e frágeis. Observem os detalhes nas orlas dos chapéus.
Género Tricholoma. Quanto à espécie, talvez portentosum talvez terreum...
Tudo me encantou neste exemplar: as cores e as nuances, o remate pontilhado na orla do chapéu e o ondulado a fazer aparecer as lâminas alvas, como a saia de uma dançarina de cancan.
Uma das características de identificação de um exemplar, é a cor dos seus esporos. Corta-se o pé, põe-se dentro de um pirex e depois fotografa-se com uma cartolina a contrastar por trás. Como os esporos do Tricholoma são brancos, escolhi a cartolina preta. O nome em inglês faz todo o sentido, pois fica-se com uma impressão da parte inferior (himénio) do cogumelo: spore printing.
Sacordon squamosus. É um cogumelo verdadeiramente sensorial. É para ser visto, tocado por todo, cheirado e experimentado. Parece um ser jurássico, com escamas proeminentes de toque tipo cachemira. Até aos cerca de 8 a 12 cm, são circulares. Quando maiores, são mais acinzentados, menos aveludados e disformes. O desta imagem, está por cima de outro ainda maior mas ainda arredondado.
Por baixo, são agulhas cinzas e grossas que parecem de borracha, muito suaves ao toque. É carnudo e cheira muito bem. Dizem que só serve para ser seco e usar como condimento. Dizem ainda que os carpóforos (exemplares) maiores são amargos. Afirmações um tanto discutíveis. Sequei alguns, não muito maduros é verdade, às lâminas e eram muito saborosos. Crocantes estaladiços, já temperadas de sal e tudo (ele por si só já é saboroso e condimentado).  Com umas bejecas, não sobrou nada.
Carpóforo maduro, assumindo formas mais irregulares. Mas ficam ainda mais torcidos. 
Cortinarius? penso que postei uns muito parecidos, colhidos no mesmo local. Mas a imagem ficou tão interessante com os líquenes por trás que adoptei-a para apresentação deste blogue.
Craterellus cornucopioides ou Trompeta/Corneta dos mortos. Sempre quis encontrar estes exemplares. Aconteceu quando menos esperava numa levada em Terras do Bouro, debaixo de um carvalho. São mais pequenos do que imaginava e estão muito dissimulados entre a terra e a vegetação. Dizem que secos e moídos são uma excelente especiaria. A ver se pró ano apanho uns poucos para experimentar.
Fistulina hepatica. Estes nomes latins são castiços. Portanto o cogumelo em forma de rim que nasce nas fendas da madeira morta?
Por cima parece couro de porco e húmido.
Por dentro, vermelho, sumarento e marmoreado, como os melhores bifes. Já ouvi falar em muitas formas de consumo deste cogumelo. Ele por si, é um pouco ácido e de textura muito agradável. Da próxima, vão virar um carpaccio, temperado com um glaze de vinagre balsâmico, zest de um citrino, talvez lima e endro.



Amanita virescens. Cheirosas e apetitosas. Parecem pequenos pãezinhos de hamburguer neste estado. Apresentam uns veios rosas na carne do pé que as distingue bem das debaixo. São comestíveis desde que bem cozidas. O problema é a confusão com as mortais primas pantherinas...
Amanita pantherina. Venenosa. Nestes estados de maturidade, não são confundíveis. Porém, um pouco mais maduras, as de cima, ficam um pouca mais sujas e acinzentadas e estas um pouco mais acastanhadas. E o pior é que partilham o mesmo habitat. Daí que resolvi nunca experimentar uma Amanita virescens, apesar de não me ter faltado vontade...
Lactarius piperatus. Nunca mas nunca experimentei nada tão picante. Dizem que os povos de leste cozem-nos imenso e fazem pickles deles. Eu estou a pensar em cozê-los e/ou secá-los e tentar aromatizar azeite, como alternativa às malaguetas, a ver o que dá...
Boletus edulis um jovem e outro muito maduro. Encontrei-os assim, lado a lado. São dos melhores cogumelos que se pode encontrar para comer. O grande já está um pouco bichado demais. Mas a lição que tirei daqui foi mais uma vez a mutabilidade maturacional das espécies.
Suillus luteus, estavam muito bonitos, debaixo de coníferas num caminho sobre o musgo. Foram os primeiros Suillus que encontrei. É um género cujas espécies baralho um pouco e dou azo a algumas confusões no fórum. Na próxima temporada vou estar mais atento. São comestíveis desde que se retire as cutículas do chapéu e himénio. Parece que estas são laxantes. A carne sabe levemente a frutos secos com um aroma agradável.




Trametes versicolor? é uma espécie lenhícola. Vivem em colónias, sobre madeira morta e quando menos maduros as cores dos leques são mais vivas do que estes. Têm a particularidade de terem os esporos muito grandes, aparentemente visíveis com uma lupa. A identificação não é segura, pois há espécies muito parecidas que nos Estados Unidos são popularmente conhecidas por caudas de perú. Perdoem-me mas não sei o nome científico destas últimas.
Russula cyanoxantha?  Eu penso que sim, a avaliar pela cor do exemplar mais jovem da direita. Experimentei. São adocicadas e sabem a noz. Muito boas, só salteadas com sal.
Russula virescens? acredito que seja por ser esverdeada e gretada. O sabor é semelhante às anteriores. Partilham o mesmo habitat, bosques de folhosas e só as encontrei, uma vez no final do Verão, para pena minha.
Piptoporus betulinis. É um cogumelo muito bonito que vive na madeira morta das bétulas e vidoeiros (acho). Tem uma forte capacidade de apodrecer a madeira. No Fórum *Ento*Loma indicou-me um site sobre este cogumelo. Fiquei a gostar ainda mais dele. Já a múmia tirolesa, à 5.000 anos, foi encontrada com restos de um na mão. Arqueólogos especulam que o usava com fins medicinais. Este cogumelo tem propriedades antibióticas. É tão duro que já foi usado para fazer rolhas para frascos de rapé e correias. Há quem já tenha tentado comer os carpóforos mais jovens, mas parece que é uma experiência semelhante à degustação de rolhas...






Cantharellus cibarius. É um cogumelo muito curioso. Encontrei-os debaixo de bosques mistos onde havia muitas faias. As folhas amarelas destas, como a que se vê do lado direito da imagem que tinham mesmo começado a cair no final do Verão, camuflavam-nos perfeitamente. Têm uma cor, amarela alaranjada e depois de lavados, exalam um intenso cheiro a damasco. O administrador do fórum deu-me uma receita deliciosa, onde os salteia em manteiga e queijo das ilhas esfiapado. Deliciosos! Hermínia, outra usuária do site, fez uma tarte doce com os cibarius caramelizados, com um aspecto fabuloso. É um cogumelo muito versátil.
Leccinuns nas mãos da Mó. Foi a nossa primeira colheita. Os Cibarius e Lecinuns. Penso que o maior talvez seja um versipelle, o que significa que assumem várias formas e cores. Tem um sabor extremamente intenso, são óptimos para secar. Cozinhados frescos, têm uma textura esponjosa. Eu não me importo, mas não é para todos. Uma sopa destes Leccinuns com grão de bico é das melhores coisas que já fiz com cogumelos.
O primeiro Leccinum que a Mó encontrou. Podemos dizer que foi o primeiro cogumelo que encontrámos e colhemos.
Amanita fulva? Mycota ficou surpreso por eu encontrar tantas vezes esta espécie. Nas próximas frutificações terei que completar voltar a este trilho para confirmar a identificação. É uma espécie comestível depois de cozida. Mas com todos os cuidados, uma vez ser uma Amanita...
Um bicho mimético. Fui ver o que eram estes dois cogumelos e qualquer coisa saltou entre as folhas. descubram o que é se forem capazes...

sábado, 17 de Janeiro de 2009

Rota do Padrendo, Gerês Galego. Ago.08

A diferença entre este percurso e os que estamos habituados, é primeiro um site que nos dá o ponto de situação actual do trilho que queremos fazer. Segundo a marcação. Não há margem para dúvidas. Não há stresses de desaparecerem marcas, ou estarem mal sinalizadas. Penso que não seria muito complicado chegarmos a este nível em Portugal. É mais uma questão de entendimento entre as partes envolvidas, desde a criação até à manutenção, passando obviamente pela promoção dos percursos. Acredito que se trata mais disto do que propriamente recursos.

É um percurso de montanha. Uma primeira parte por entre moínhos, bastante frondosa e bonita. Uma segunda onde se sobe um maciço granítico com fragas e paisagens interessantes e por último um bosque na descida que no leva ao ponto de partida.

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Moinhos na subida
Caminho frondoso
As mós espalhadas
Tramazeira - Identificada, por Rafael Carvalho - Aquitectura D'ouro
Obrigado!

Esta é a montanha a subir.

Fragas e  montanhas a perder de vista...

Uma vista para sul por trás da montanha da primeira foto

Fragas em formas cúbicas. Parecem um jogo de crianças

Mais fragas na subida



Até breve!

Manel

sexta-feira, 16 de Janeiro de 2009

Árvores

Gosto de fotografar árvores e as suas folhas. Às vezes elas não cabem nos relatos dos trilhos, porque são simples vagabundeagens minhas solitárias, por estes lugares que vou conhecendo. Assim, resolvi fazer esta colecção, sem critério absolutamente nenhum. Aliás critério é algo com que tenho alguma dificuldade em lidar...:
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Bosque de folhosas no Mezio com muitas bétulas.  Um dos meus favoritos Jul.08 
Mais folhosas no Mezio, Julho 08.

Fim do Verão, cheirando a Outono já, no Mezio, Arcos de Valdevez

Folhas caídas no Mezio. Out. 08
Mezio, Out.08
Mezio, Out.08
Mezio, Out.08
Mezio, Out.08
Mezio, Out.08
Mezio, Out.08
Carvalhal em Novembro de 08 no Corno do Bico - Paredes de Coura


Medronhal de Covide, Gerês, troncos retorcidos a crescerem pela encosta. Set.08 

O mesmo medronhal, cerrado e com formas fantásticas.

Sobreiro fabuloso entre Regoufe e Covelo de Paivô. Serra da Freita, Arouca, Inverno de 07
Outro sobreiro imponente, dando sombra ao abrigo de pastores no Curral da Carvalha das Éguas. Gerês. Set.08
Santa sombra entre o Mezio e Vilela das Lajes, Arcos de Valdevez. Agosto 08.

Carvalhos com muitos nódulos entre Vilela das Lajes e Bostelinhos, Arcos de Valdevez. Maio 08

Mais uma perspectiva do carvalhal de Bostelinhos na Primavera

Bosque misto no Trilho das Brandas de Sistelo em Janeiro 09.
Trilho de Castelo em Terras do Bouro. Um grupo de carvalhos mortos, mas de pé
Eram vários círculos de erva queimada. Alguns com uma árvore carbonizada, umas de pé outras tombadas. Terão sido atingidas por raios?
Duas Tremellas mesentericas, das maiores que já vi, num carvalho. Geralmente encontro estes cogumelos em ramos caídos no chão e nunca deste tamanho. Corno do Bico. Dez.08

Círculo apertado de coníferas. Corno do Bico, Paredes de Coura, Mar.07

Parece azevim, mas a folha não é recortada e as bagas aparecem em Outubro.
Trilho da Preguiça - Gerês.

Cores do Outono no Trilho da Preguiça

Medronhos, a amadurecer, no Trilho da Preguiça

Carvalho retorcido no Trilho da Preguiça, coberto por trepadeiras

Os troncos dos Medronhos no Gerês assumem formas muito curiosas. Trilho da Preguiça também.

Esta jurou que havia de vingar, nem que fosse no precipício.
Trilho da Preguiça.

Até breve!

Manel

Serra D'Arga e cercanias

Amigos,

Apesar de já ter feito alguns percursos na Serra D'Arga, um lugar que me é muito querido, optei por postar aqui imagens de vários recantos da mesma, em vez de trilhos.
Espero que gostem.

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Biggy, feliz depois de uma banhoca num ribeiro antes da ponte das traves.
Queda de água numa garganta, num dos muitos ribeiros da serra
Pequena lagoa abaixo da ponte das traves
Ponte muito curiosa, um pouco acima de uma das argas (penso que a de cima)
Se fosse jardineiro, gostava de recriar estes cenários

Flores aquáticas
As gentes daqui usam os materiais disponíveis. Neste caso, lajes para fazer uma cancela.
Hakea Sericea. Arbusto com espinhos que floresce no  Inverno. As flores exalam uma fragrância intensa que atrai muitas abelhas. Identificado por Crix de As Minhas Plantas
onde se pode ver e ler mais um pouco sobre este ele. Obrigado Crix!
Recanto perto da Ponte das traves
Mais um dos ribeiros e pequenas lagoas da Serra
Ponte das Traves
Azenha do lado esquerdo do ribeiro que passa pela Ponte das Traves. Esta nunca lá consegui chegar.
Outra azenha. A seguir vejam o interior.

Algum equipamento de moagem ainda cá está.

Claustro do Mosteiro de S. João D'Arga
Cruzeiro entre um bosque de coníferas, vizinho ao mosteiro.
Escadaria que levam ao bosque de coníferas do mosteiro. Será algum ritual, os peregrinos passarem por aqui, lavarem os pés e só depois entrarem no mosteiro?
Ser vigilante a caminho do posto de vigia da Pedra Alçada. Pena as nuvens. Estavam tão baixas que daqui para a frente não deu para registar mais nada.

O trilho da Pedra Alçada, está praticamente sem marcas, após os incêndios de 2005. No entanto o Vereador do Turismo da Câmara Municipal de Caminha, por email, já me disse que estão a proceder à remarcação e melhoria da circulação destes e outros trilhos nesta região. Para além disso vai haver novos trilhos na área. Boas notícias. Mas para já cuidado redobrado com este.
Este bonito garrano já não existe. Tinha uma pata traseira irremediavelmente partida.
Caminha e o Monte de Santa Tecla, já em Espanha.
Santa Tecla (La Guardia Espanha) e o Atlântico lá longe.
Rio Âncora. Um lugar que procuro para me acalmar um pouco depois do reboliço intenso das praias no Verão.
Estuário do Minho desde o Monte de Santo Antão, sobre Caminha, Com o Pinhal do Camarido e o Monte de Santa Tecla à frente. Mais à esquerda vê-se a ilha da Insua e para trás todo o vale do Rio Coura. Um lugar fantástico.
Pôr do sol em Seixas na varanda da casa de uns amigos, depois de um dia bem passado.

Até breve!

Manel

domingo, 11 de Janeiro de 2009

Brandas de Sistelo nevadas. Com Vagabundeandos. 10.Jan.08

Para quem há poucos dias editou um texto, justificando o seu gosto por caminhar sózinho, hoje faço exatamente o contrário:

Sinto-me um privilegiado por ter feito o trilho das Brandas de Sistelo, uma freguesia dos Arcos de Valdevez, com três "Vagabundeandos". Foi a caminhada certa, com as pessoas certas, no dia certo.

As suas capacidades e esforço de orientação, são excepcionais. Não teria sido possível fazer este trilho com qualquer pedestrianista, muito menos sózinho. Para eles até raspar a neve das pedras, para procurar marcas valia. Quanto a mim, tive a vida fácil. Fechava cortejo no meu passo de cágado, fotografando tudo. Para me orientar? bastava olhar para o chão e seguir as pegadas deles. Simples simples. 

É daqueles dias que me deixa bem-disposto por algum tempo.

Obrigado Vagabundeandos!

Curtam as fotos:

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Sistelo visto de cima e a subida ia como a procissão, ou seja no adro.
Será que passou por aqui uma raposa?
Atrás de um coelho?
Socalcos de Sistelo, nevados.
Obrigado amigos. Assim é fácil!

Garranos com Sistelo ao fundo

Carreteiro atepetado com neve. Enquanto esta não vira gelo, até fica mais fácil andar por aqui. Do outro lado do vale, na cordilheira, consegue-se distinguir as mariolas gigantescas dos pastores, entre as brandas, para os lados da Gavieira .

É impressionante como a neve muda um cenário.

Parte do trilho entre um bosque misto de coníferas e folhosas. Deslumbrante.

Santo engano! Descer pela estrada já era complicado, por este carreteiro, com gelo era malho na certa.

Estendal do suor, pela merenda, no topo do caminho.

A perspectiva da mesma caminhada pelo Paulo, no blogue  Vagabundeando, é excelente. Vejam que vale a pena!

Até breve!

Manel

PS - Mais um percurso Valimar, com claras deficiências de manutenção. Água mole em pedra, neste caso ouvido, duro...

segunda-feira, 5 de Janeiro de 2009

Porque caminho sózinho

Razão primordial: porque nunca há ninguém para se levantar, às horas que eu me levanto e ir comigo sem aviso prévio.

Mais objectivamente, porque odeio ginásios e tenho que perder peso. Mas se fosse só por isso, andava na cidade, ou já me tinha fartado das caminhadas.

Há ainda outros aspectos, como andar devagar, por ser pesado e ter medo de cair, por ficar a observar, fotografar ou a colher cogumelos e plantas. Não deve haver muita gente com paciência para me aturar ou esperar por mim.

Vai daí, é bom caminhar sózinho. É tão bom ver nascer o sol, não ver ninguém, ou encontrar alguém. É tão bom ouvir o silêncio ou ouvir a natureza. É tão bom saborear bagas, frutas, ervas, beber a água das fontes, revigorar-me nos ribeiros.

É tão bom ficar todo suado a subir um carreteiro ou perder-me numa floresta. É tão bom chegar placidamente a metros de uns garranos e eles continuarem por ali a pastar.

É tão bom contemplar e surpreender-me com as descobertas,  sejam elas quais forem. Desde a paisagem mais deslumbrante ao insecto mais insignificante. Faço-o com tanto entusiasmo!

É tão bom estar no meio de uma tempestade, ver o nevoeiro passar entre as árvores e estar todo molhado. No mesmo espaço as sensações mudam, de repente ficamos mais atentos, tudo parece mais poderoso. É a intempérie. Se no mar já achava bom, na floresta também o é.

Quando caminho, esqueço-me de comer, de beber (embora não deva). Sou feliz, nada dói. É tão bom!

Enquanto caminho, falo com o que encontro, falo comigo.

E sabem? Não me sinto sózinho, não estou sózinho.

O cansaço é bom e o sono sabe melhor. 

Até breve!

Manel

PS - Descansem aqueles que consideram uma irresponsabilidade da minha parte. Eu não arrisco assim tanto. Repito muitos percursos já meus conhecidos.

FunkyPots Primavera 08 Maus Hábitos

Na Primavera de 2008, foi quando instalámos a rega automática. As plantas ganharam volume demais. No Verão chegou mesmo a ser um problema. Mas nesta altura dos bolbos, o pátio estava bonito e dava gosto.

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Amores perfeitos, pelargónios e verbenas pendentes, bidens cosmos, chagas...
Maus Hábitos night skyline
Viveiro. Muitas das plantas do Verão passado e todas desta Primavera, sairam daqui.
Chagas, margaridas, tulipas, chorinas, narcisos e bidens
Margaridas, tulipas e jacintos ainda por florir

Louça sanitária vintage, neste caso penico esmaltado e bidé, com jacintos e chorinas, respectivamente.

Até breve!

Manel

PS - Daniel, obrigado pelas imagens!

domingo, 4 de Janeiro de 2009

Um pouco de Levadas e Germil em Janeiro

Amigos,

Hoje saí de casa um pouco tarde para tentar fazer este percurso dos moinhos e regadios. É o PR4 em Terras do Bouro. Andei distraído nas levadas, com plantas silvestres e cogumelos. Depois do Rio Homem, não dei com as marcas para Pergoim. Provavelmente não ia ter luz para acabar um percurso tão longo. Mas vou tentar outra vez. Gosto destes trilhos, onde primeiros sinais da Primavera eclodem timidamente nalgumas prímulas e tufos de violetas silvestres que já estão grandes. Mais um mês ou dois e estas levadas são uma beleza para tirar fotos destas e outras flores.

Estava sózinho então resolvi voltar para trás e revisitar o bonito carvalhal de Germil. Lá encontrei o meu amigo Joel, com um gorro vermelho. Quase não o reconhecia. Espero bem que ele veja este blogue e me deixe aqui uma mensagem. Gosto muito da aldeia dele. Assim era uma forma de nos mantermos em contacto. Podia até dizer-me o nome dos lugares das imagens que tenho aqui nas duas mensagens sobre Germil. Seria muito bom, pois completaria este trabalho sobre a região dele. É que não encontro nenhuma informação impressa sobre este percurso pedestre. Penso que talvez ainda não esteja homologado, porque a parte de cima, está ainda em mau estado.

Até breve!

Manel

PS - Fica aqui o meu sincero agradecimento ao simpático casal, que me deu boleia de Germil até aos cabos de alta tensão. Assim sempre fiz o trilho com mais segurança. Ou seja mais tempo de luz e menos cansaço nas pernas. Muito obrigado, anónimos cheios de boa-vontade!


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Craterellus cornucopioides ou Trompeta dos mortos, numa levada em Terras do Bouro, mesmo por baixo de um carvalho. Identificado em  http://cogumelosportugal.forum-livre.com/campo-e-identificacao-f5/craterellus-cornucopioides-t426.htm
O carreteiro de Germil entre um carvalhal muito bonito e este muro musgado de pedra solta. Foi por aqui que no final do Verão vi um círculo de bruxa, à esquerda. O som do ribeiro acompanha-nos por toda a subida.

Ruscus aculeatus, gilbarbeira ou gilbardeira. Tem muitos outros nomes, como erva das vassousas. As suas aplicações são também diversas.  Desde vassouras para limpar chaminé e fuligem a fins terapêuticos. Os ingleses chamam-lhe butcher´s broom. Consta que os talhantes punham-na à volta dos pedaços de carne e do cepo de a cortar. As pontas aguçadas das suas folhas, evitavam os ataques dos ratos. Eu já vi alusões a esta erva em mais do que um blogue. Mas um deles foi o Dias com árvores.
É claro que agora corre muito mais água e o musgo das pedras estão mais verdes

Este lugar com a ponte que parece feita de lajes de granito é uma beleza. Mais à frente encontram-se dois ribeiros. Joel, sabes o nome deles?
Líquenes e fetos

Estes carvalhos morrem de pé. Ainda assim, são um universos de vida

Cogumelos no musgo do carvalho morto

Montes rochosos a nascente de Germil

Trilho Pertinho do Céu - Serra da Peneda Set.08

Mais um trilho de brandas. A subida é feita sobre um bosque de carvalhos com cenários deslumbrantes.

Bastou chover um pouco que a urze estava toda florida e estas florzinhas lilazes começaram a aparecer nos pastos.
Vimos um telhado de colmo, coisa raríssima já por estas bandas.
A segunda parte do trilho, aproxima-nos do maciço da Peneda e vão-nos dando uma sensação muito forte de imponência.
São puxados mas gratificantes estes trilhos de brandas.

Vejam as fotos

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Carvalhal na subida
Carreteiro com urze recém florida
Panorama da subida
Carreteiro que nos leva à branda de Bosgalinhas. Não há que enganar

Alguém sabe o nome destas flores? Disseram-me que as perdizes arrancam-nas para comer as suas raízes.
Parece que são Flores de Rómulo, se forem as mesmas que a Rosa postou no seu blogue de cheiros 

Telhado de colmo na Branda de Bosgalinhas. Mais uma tradição a perder-se. 

Branda de Bosgalinhas com o maciço da Peneda ao fundo. A descida é uma aproximação gradual à sua base e a um pequeno rio com pequenas lagoas e cascatas que aí corre.

Maciço, granítico, imponente, cada vez mais próximo.

Pormenor curioso da urze florindo com uma flor silvestre mais clara.

Até breve!

Manel

sábado, 3 de Janeiro de 2009

Trilho da Preguiça - Gerês

Este é daqueles trilhos que eu imagino serem bonitos todo o ano. No Verão tem imensos lugares para nos refrescarmos, apesar de se apanhar com turistas a mais, provavelmente pela proximidade do Gerês. Mas no Outono mostra estas cores deslumbrantes, alguns cogumelos e castanhas de bom tamanho no chão. Na Primavera nunca o fiz, porém imagino que seja bastante florido. No Inverno aconselho alguma precaução em piso molhado ou com neve, mas em tempo seco, tudo bem.

Clique nas imagens para aumentarem

Recanto do Ribeiro da Laja

Não me canso de fotografar estas árvores carregadas de trepadeiras


Ribeiro da Cantina

As primeiras Fistulinas hepaticas que encontrei. Por dentro são húmidas e marmoreadas, autênticos bifes. Identificado em http://cogumelosportugal.forum-livre.com




Parecem azevins, mas frutificam mais cedo e a folha não é recortada. Alguém me ajuda a identificar esta planta?

Os primeiros tons de Outono.

Fim da linha, com a cascata de Leonte.

Até breve!

Manel

quinta-feira, 1 de Janeiro de 2009

Deliciosamente intoxicado


Minha história com os cogumelos é muito emocional, como todo o meu percurso.

Lá em casa, cozinhava-se muito com cogumelos. Meu pai trazia trufas de Itália e a sua preparação, era um momento único.

Em miúdo, ficava encantado com as histórias de como e onde eram apanhadas: Em noites de trovoada, perto dos cemitérios, buuhhhhh. Enfim mitos que só aumentavam ainda mais a minha  atracção pelos cogumelos. Eu queria imenso ter um cão ou um porco trufeiro, ehehehe.

Há uns 4 anos, um grande amigo deu-me um guia de cogumelos. O mesmo que ainda hoje uso. Num pinhal tropecei nuns lactários. Peguei no guia e voltei lá. Apanhei-os, cozinhei-os e comi-os. Chamaram-me maluco e com razão. É que identificar lactários apenas por um guia, até é razoavelmente seguro, mas para a maioria dos outros grupos de cogumelos é manifestamente insuficiente, ou mesmo arriscado. Principalmente para alguém como eu que estava (e ainda estou) a começar.

Tenho feito muitas caminhadas de há uns 3 anos para cá. Vira e mexe vejo cogumelos. Tiro fotografias, leio, pesquiso e pergunto online sobre eles, como funcionam, a sua morfologia, o mimetismo, as simbioses... É fascinante!!! Enquanto leigo, estou cada vez mais seduzido. O apelo sensorial de formas, cores, texturas, fragrâncias e sabores, são irresistíveis. É fantástico estar a descobrir e partilhar tudo isto de forma tão intensa. As espessuras culturais, sociais e históricas destes seres, seduzem-me de sobremaneira. Exemplos disso, são os nomes que cada região dá aos boletos em Portugal (pão-de-ló, tortulho...) já para não falar no mundo: EUA são os Burger Bun (Pão de Hamburguer), ceps em França, ou em Itália os porcini. As formas como os preparam também, são muito particulares.

Alice no país das maravilhas, tintim, pai natal, surrealistas, rituais shamânicos e os amanitas das moscas. Quem pode ficar indiferente a estes círculos vermelhos com flocos brancos?

Há uns tempos, passei por um bosque, de folhosas e coníferas, particularmente húmido. Era como se tivesse entrado num documentário televisivo sobre cogumelos. Não resisti. Desde então, vou lá sempre que posso. Coleccionei dezenas de imagens, trouxe boletos, cantarelos e russulas para a cozinha que se vão transformando em perfeitas iguarias. Entretanto apercebi-me da generosidade das pessoas tão interessantes que se encontram nestes fóruns online sobre cogumelos.

De todos, destaco o meu favorito:

http://cogumelosportugal.forum-livre.com

Não é o mais arranjadinho, ou o mais fácil de se colocar uma foto. Mas é onde fui bem acolhido, onde não se importam com as minhas calinadas de principiante, aceitam a minha informalidade e no momento, sem dúvida é o mais animado em Portugal. Lá, sinto-me entre amigos, em casa.

Estou deliciosamente intoxicado. 

Até breve! 

Manel

quarta-feira, 31 de Dezembro de 2008

Vergaço e Germil: Aldeias perdidas a visitar

Há duas terras perdidas numa estrada que liga Terras do Bouro ao Lindoso. A Primeira Chama-se Vergaço. Infelizmente já lá só vive gente simpática mas de avançada idade. É daquelas aldeias que estão condenadas. Fica no cimo da serra, com panorâmicas fabulosas, carvalhais cerrados por todo o lado. para mim um lugar idílico. Adoraria lá viver. A outra, é Germil, um pouco maior, ainda tem algumas crianças, mas a escola já fechou e vão estudar a Ponte da Barca. É um lugar muito bonito também. Penso que ambas ficam na orla do PNPG.

Germil tem um percurso pedestre marcado, mas que aparentemente ainda não está homologado no site de Federação Portuguesa de Campismo e Caravanismo, nem referido no pedestriasnismo.blogspot.com. Já o fiz. O meu conselho é deixarem o carro em Germil, fazer pela estrada primeiro de paralelo e depois asfaltada até aproximadamente os cabos de alta tensão e aí, tomar a marca que diz para virar à esquerda. A parte superior do caminho, tem uma parte aberta recentemente, que tem  muito tojo e pedra solta. É desagradável e perigosa até. Enquanto a debaixo desenrola-se num carvalhal antigo, entre muros de pedra solta e caminhos de carreteiro,  onde é impossível o caminhanhte perder-se. A descida é íngreme, assim como a subida claro, mas vai dar direitinho a Germil onde há várias fontes para nos refescarmos.
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Em Vergaço estavam a fazer a silagem das maçarocas do milho.

Perspectiva de um espigueiro abandonado sobre os carvalhais.

As  ruas de Vergaço são todas cobertas por ramadas.
Mais uns edifícios abandonados, virados para a parte nascente da serra.

Outro espigueiro, este tem o telhado com lajes de granito.

Uma ponte tosca feita com lajes de pedra acima de Germil

Joel, um rapaz da terra, esperto. Ia levar as vacas a pastar no monte. Explicou-me que elas não gostam do caminho carreteiro. É quente, magoa-lhes os cascos e a erva cá debaixo é mais tenra. Depois ao final do dia, elas descem sozinhas. Espertas as vacas.

Amanitas rubescens. identificadas em cogumelosportugal.forum-livre.com. Cheiravam lindamente e são comestíveis desde que bem cozidas para eliminar as toxinas. Nesta fase da sua maturidade parecem pães de hamburguer. O problema é que quando mais maduras são confundíveis com as primas Amanitas pantherinas, altamente venenosas. Coexistem nos mesmos caminhos nestas bandas. Vai daí, nunca arrisquei.
3 Amanita rubescens. Também conhecidas por Vinosas.

Os caminhos de pedra solta entre o carvalhal e um ribeiro que não parava de cantar. Um sonho.

Lactarius piperatus a coisa mais picante que jamais provei. Pior que a pior das malaguetas. Identificada em cogumelosportugal.forum-livre.com.

Esta ponte feita de lajes de granito, atravessa o ribeiro e é um ponto particularmente bonito do caminho. Faz lembrar um jardim zen.

Do outro lado do vale, com o zoom no máximo consegui este pormenor do apicultor a tratar das suas abelhas, num casaco bem justo, para nenhuma entrar e ferrá-lo.

Escusado será dizer que em Setembro, não levo fruta na merenda e encho-me destas amoras suculentas.

Flores silvestres nas alamedas. Daboecia cantabrica, identificadas por Carlos Aguiar. Obrigado!

Penso que são líquenes a crescer sobre o musgo.

Adorava voltar a ver um dia, uma junta de bois a subir um carro destes sobre um caminho carreteiro do alto minho. É uma pena não termos o registo filmado desse esforço, a coordenação entre homem e animais sobre caminhos tão difíceis. Posso imaginar as ordens do condutor, o ranger do eixo, o barulho das rodas nas pedras e a expressão de esforço dos animais. Espero mesmo que alguém um dia lhe ocorra de relembrar esses tempos. Estarei lá.

Mais um programa que aconselho e repito.

Até breve!

Manel

terça-feira, 30 de Dezembro de 2008

Percursos com problemas de manutenção e marcação

Terras do Nóbrega, Ponte da Barca

Os bombeiros de Ponte da Barca, tiveram a amabilidade de me ir buscar ao Alto da Torre, quando eu deveria estar perto de Sampriz, porque as marcas do percurso tinham sido levantadas, por terem andado a arranjar o estradão no final do circuito. Quem me disse foi um dos bombeiros que trabalha na Câmara.

É o Percurso das Terras do Nóbrega. Comuniquei educadamente à entidade promotora, via Email, logo a seguir. Isto foi em Maio de 2008 e nunca, se dignaram a responder. Bastava um aviso no seu site, donde fiz o download do percurso, avisando que as marcas tinham sido retiradas. Custa muito? O PNPG através do site do ICNB faz isso. Por exemplo quis fazer o trilho da Silha dos Ursos e no site está lá anunciado que o estradão até ao início do percurso está intransitável.

Mezio - Ribeira de Vilela - Arcos de Valdevez

Sem placa de início de percurso durante todo o verão e outono de 2008. É muito difícil encontrar a ligação entre Ribeira de Vilela e Boimo (por trás da escola), no mezio as marcas confundem-se com o trilho interpretativo do mezio do PNPG e a parte para Bostelinhos também está bastante confusa com muros derrocados e mato cerrado.


Pedra Alçada - Serra D'Arga Caminha

Trilho da Pedra Alçada na Serra D'Arga. Em Agosto passado, eram pouquíssimas as marcas que restavam. Nem sequer a do início do percurso junto à igreja da Arga de S. João. A parte abaixo do mosteiro de S. João D'Arga, quase só de catana. Tudo isto sucedeu após os incêndios de 2005

O Vereador do Turismo da Câmara Municipal de Caminha informou-me por email, que estão a proceder à remarcação deste e outros quatro trilhos na Serra D'Arga. Disse ainda que o CISA, centro de intrepretação ambiental da Serra D'Arga vai reabir e vai haver novos trilhos no Concelho. Boas notícias.

Não posso deixar de observar que são três trilhos do mesmo promotor, a Valimar.

Até breve!

Manel

segunda-feira, 29 de Dezembro de 2008

Ribeira de Vilela + Mezio - Trilhos para a Primavera

Mezio é tão pequeno que nem chega a ser um trilho, mas é muito bonito. Ribeira de Vilela (também chamado como trilho do Mezio pela Valimar, origina confusões), está mal marcado e com o mato cerrado em muitas partes. É difícil, mas o caminho carreteiro entre o planalto acima do Mezio (antes do parque de campismo da Travanca) e Vilela das Lages e depois a parte que vai da Ribeira de Vilela a Bostelinhos, estão com uma vegetação luxuriante, florida e os regatos todos a cantar na Primavera. Vale bem as arranhadelas por esta altura. Olho vivo porque o trilho está confuso e mal marcado, mas nada de perigoso, acaba-se por dar com ele.
A Parte entre Vilela das Lajes, Boimo e daí até ao Mezio, o fim do percurso, é que pessoalmente já acho um pouco demais, é difícil de encontrar a marca por trás da escola primária abandonada e com declives acentuados para quem já andou aquilo tudo, tem pouco interesse. A minha sugestão é que se tome a estrada asfaltada que lá vai dar direitinha que nem um fuso, também é bonita e tá-se lá em meia hora.
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Trilho onde o cheiro a pinho é muito intenso, descendo do miradouro do Mezio para um bosque de folhosas
Abrigo de pastor com o redil debaixo de faias e bétulas. O lugar certo para um descanso e merenda.

Regato perto de um redil feito com esteios para garranos, no meio do bosque

Redil de esteios com pasto para garranos

Bosque misto no Mezio

Os garranos por esta altura andam em manada. Acho que para proteger as crias muito jovens ainda

Gado barrosão no planalto acima do Mezio. Daqui é que se desce por um carreteiro até Ribeira de Vilela. Paisagem fantástica mas caminho duro.

À procura de uma sombra entre as pedras quentes do caminho carreteiro

Flores nos muros de pedra solta

Ribeira de Vilela dá para refrescar

Caminho para Bostelinhos, verde e florido e com muita água

Confluência de duas ribeiras em Bostelinhos

Carvalhal, todo verde

Prado florido em Bostelinhos

Até breve!

Manel

Trilho do Currais - Gerês - Set.08

Pelas suas paisagens tão variadas, este é um dos meus trilhos favoritos do Gerês. Além disso e quem conhecer os caminhos marcados com mariolas dos pastores, ou for com tempo equipamento e conhecimentos de navegação, deve ter imensas alternativas. Imagino que daqui até possa chegar ao rio e cascata do Arado.
A única observação que tenho a fazer é a descida da Pedra Bela para a Vila do Gerês. Achei íngreme demais, de saibro solto com uma vegetação desinteressante, perigosa e muito cansativa.
Da segunda vez que o fiz, apanhei um táxi na Vila do Gerês, deixei o carro no parque de campismo do Vidoeiro (2 km acima da Vila) onde supostamente o circuito deveria começar e fiz o percurso em sentido contrário, a partir da Pedra Bela. Esta batota custou-me 7€  e o percurso fica bem mais agradável. No final, peguei no carro e ainda fui fazer mais uns kms na geira romana da Portela do Homem, pela Mata da Albergaria, com direito a banhoca no rio Homem. 

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Há quanto tempo o Tempo esculpe estas fragas?


Duendes admirando a paisagem em amena cavaqueira

Curral da Carvalha das Éguas
Abrigo no Curral do Vidoeiro. Reparem no detalhe que só me apercebi quando editei esta imagem, da cruz deitada, gravada na porta do abrigo.
Panorâmica do Curral do Vidoeiro, com os abrigos e as mariolas. Os pastores precisavam mesmo destes marcos para se guiarem no meio da tempestade, ou há outras razões para as erguerem tão alto,  como aspectos culturais, marcação de  propriedade?
Flores lilazes que brotam nos pastos destas paragens no final do Verão
Merendera pyrenaica. Identificados por Carlos Aguiar. Obrigado!
Garranos no Curral do Vidoeiro
Cogumelos fimícolas - Crescem no esterco.
Vegetação na berma, antes de chegar ao medronhal

Medronhal. Os troncos assumem formas torcidas, fabulosas.

Cascatas no Rio Homem - Mata da Albergaria

Ponte de madeira que dá acesso às cascatas

Um dia que enche a alma.

Até breve!

Manel


domingo, 28 de Dezembro de 2008

FunkyPots: Maus Hábitos 2007

Em Maio de 2007 pediram-me para dar um jeito ao pátio do Maus Hábitos. Queriam ajardinar aquilo. As premissas eram:
  1. Fazer algo enquadrado com o espírito do espaço
  2. Compatível e funcional com o intenso tráfego daquela área, desde os almoços até altas horas da noite
  3. Very, very, very, but very low budget.
O estado em que encontrei o pátio era este. Um fundo do quintal. Só faltava O tanque e o estendal da roupa. A proposta não podia ser mais aliciante

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Se o chão não podia ser ocupado com vasos, floreiras ou contentores, só me restava uma solução: Pendurá-los. Então ocorreu-me criar um pátio de cestos pendentes, com materiais alternativos, e inusitados:
  • Paus rolados da praia de Cortegaça. Sempre imaginei fazer alguma coisa com eles
  • Cestos de arame das mercearias falidas pelo advento das grandes superfícies, latas de tinta pintadas com esmalte forja e capacetes de obra invertidos.
  • Mais tarde, juntei penicos antigos esmaltados, bacias e baldes velhos de zinco (ainda não tenho imagens destes.
  • A iluminação foi feita com focos de 12volts, em garafas de alumínio, sem o fundo.
  • Pelo S. João ainda me deu para fazer uns cartuchos de lona para por uns manjericos.
  • No final do ano passado, chegámos à conclusão que a rega automática era fundamental. Poupávamos muita água e trabalho.

No primeiro ano joguei pelo seguro e apostei em petúnias surfinas para a parede mais ensolarada. Há mistura uns pelargónios pendentes e lantanas amarelas para dar volume no centro dos cestos e contraste cromático

Nos cestos de sombra usei musgo em vez de tela geotextil. Ainda lá está, mas completamente envolto pelas heras. Vou ver se arranjo umas imagens mais actuais.

Um cesto do verbenas pendentes de várias cores com alegrias no centro

Os cartuchos de lona com manjericos e um cesto forrado a lona também com milliumfolliuns (umas petúnias mas com flor mais pequena)

Panorâmica geral. Agora pela Primavera há mais capacetes a dar cor e as plantas ganham, mais volume. Na primavera passada foram plantados 500 bolbos de tulipas, narcisos e jacintos. A ver se no Maus Hábitos há fotos delas...

Mais um cesto de sombra com menta e outras ervas aromáticas usadas nas refeições vegetarianas e nas paredes, alegrias para dar cor.

Hoje temos lá um pequeno viveiro que abastece praticamente as plantas do pátio. Agora para o Inverno sairam as plantas anuais e entraram as prímulas, cyclamens, chorinas e outras que hão-de florir proximamente e na Primavera.

Se alguém precisar de renovar uma varanda, pátio ou mesmo jardim, pois terei todo o gosto em fazer uma proposta.

Até breve!

Manel

PS - Obrigado Daniel Pires! sem o teu entusiasmo, desde andar a rebocar paus pela praia, até arranjar soluções engenhosas para pendurar isto tudo, nada teria sido possível!

sexta-feira, 26 de Dezembro de 2008

Corno do Bico: Crianças e Árvores

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Nunca puderia imaginar que fosse tão divertido guiar sete crianças, sendo que a mais nova tinha só 5 anos pelo trilho do Corno do Bico, num dia ensolarado de Inverno. Vivem cada descoberta com tanto entusiasmo, as vacas, os garranos, os piscos, os cogumelos, as árvores... Até as subidas mais íngremes são aventuras vivadas com uma vitalidade e alegria que dá gosto!

Quando quiserem já sabem, contem comigo.


Se forem ao Corno do Bico, não deixem de entrar num dos bosques de camacíperes. Estas árvores filtram a luz de uma forma muito especial. São lugares onde se consegue ouvir o silêncio (não com sete crianças claro).
A foto não é das mais felizes, mas ainda assim, vivam esta sensação e depois digam-me alguma coisa.


No Inverno, há algumas árvores de folha caduca que revelam estes musgos ou líquenes (perdoem-me não saber distinguí-los) que criam um visual próprio de contos de fadas.


Até breve!

Manel

PS - O Turismo de Paredes de Coura tem um um pequeno kit, prático e compacto com os 17 percursos marcados no Concelho. Tem um preço simbólico de 1 € e vale bem a pena ir lá buscá-lo.

sábado, 20 de Dezembro de 2008

Nevou no Corno do Bico

Esta semana estive no Corno do Bico - Paredes de Coura. Um dos meus lugares predilectos para vagabundear sozinho na floresta. Isto porque não tem precipícios nem lugares perigosos de se andar e o telemóvel ainda tem rede.
Eu já sabia que esta Zona de Paizagem Protegida, é encantadora até debaixo de tempestade. Agora com restos dos últimos nevões, nunca tinha visto.
Algumas imagens:

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Restos de neve no Corno do Bico e Montanhas nevadas a nordeste.

Regato no bosque de camacíperes onde, apesar do frio, encontrei alguns cogumelos interessantes. Os que estão identificados, foram-no em http://cogumelosportugal.forum-livre.com, onde estão mais pormenores sobre cada um.


Um coral no frio - Calocera viscosa


Armillaria mellea queimadas pelo frio

Já num bosque de carvalhos mais acima, encontrei esta

Tremella mesenterica. São bolsas gelatinosas que parecem algas.


O mirador rodeado pela floresta.

Até breve!

Manel

Cogumelos - Saída de campo da Oficina CMIA

Naquele sábado, 13 de Dezembro, chovia até mais não de manhã.

Mas de tarde houve umas abertas e lá conseguimos ir a uma propriedade, numa freguesia do interior de Vila do Conde, de uma Senhora muito simpática e de quem já tinha ouvido falar bastante.

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Este
Phalus impudicus
que para além desta forma sugestiva, tresanda para atrair as moscas e disseminar os seus esporos, é apenas um de dez que postei no fórum
Os exemplares foram todos bem identificados no campo pelo Carlos Venade. Mas eu não tomei notas, então depois tive que recorrer à memória e guias.
No entanto foi o Pedro Claro, do Fórum que mais uma vez me ajudou a clarificar as ideias. Vejam que vale a pena.
Têm é que ir ao fundo do tópico, pois são as últimas mensagens.

Até breve!

Manel 


sexta-feira, 19 de Dezembro de 2008

Jardim das Aromáticas do Palácio de Cristal

Existe um jardim de aromáticas. É pena que esteja tão abandonado. Ainda assim, costumo passear por lá para sentir as frangrâncias, as cores e as texturas daquelas plantas.

Dia 13 de Dezembro passado fiz uma oficina de identificação de cogumelos e ervas aromáticas no CMIA de Vila do Conde. Foi daquelas actividades que me encheram a alma. Não me canso de felicitar a Luísa e a Mariana do CMIA, bem como o animador, Carlos  Venade que conferiu à actividade imenso interesse.

Achei que era uma oportunidade de ouro, para saber o que eram aquelas ervas do Palácio que tanto me seduzem. Então, dois dias antes, fui lá, mesmo debaixo de chuva, dirigi-me aos escritórios e pedi autorização para fazer uma colheita para 
identificação. A certa altura, as minhas mãos estavam tão impregnadas de fragrâncias que qualquer daninha parecia aromática.

Carlos Venade identificou mais de 20 exemplares que vou tentar mostrar-vos na mensagem inaugural deste blogue. Em cada erva, coloco links de fornecedores hortos que têm a mesma em catálogo e a sua descrição online. Numa ou outra tive que recorrer a sites estrangeiros. Há ainda um par de casos que adicionei links de artigos interessantes sobre a planta em causa.
Aqui vão elas:

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Absinto (Artemisia absinthium)

Também conhecido como Absinto-amargo; Losna; Acintro; Sintro; Losna-maior; Citronela-maior; Grande-absinto; Folhagem - verde-acinzentada, aroma forte, comprimento 6 a 10 cm; Flor amarela; Época de floração: Junho-Setembro; Ciclo de vida: Perene; Porte - altura: 1m, diâmetro: 60-90 cm, estrato arbustivo: subarbusto; Propriedades: aromática, medicinal, condimentar; Partes utilizadas: folhas; Solo: todo o tipo de solos; Exposição: sol; Cultivo: repele pragas; Espontânea;

Carvalhinha (Teucrium chamaedrys)
Descrição do Cantinho das Aromáticas

Também conhecida por Camédrios, Erva-carvalha, Carvalho-pequeno e Têucrio; Folhagem de aroma suave; Flor rosa a magenta; Época de floração: Maio-Setembro; Ciclo de vida: perene; Porte - altura: 10-25 cm diâmetro: 10-25 cm estrato arbustivo: subarbusto; Propriedades: medicinal; Solo: todo o tipo; Exposição: Sol/meia-sombra;

Erva-do-caril Perpétua-das-areias (Helychrisum italicum) Descrição do Cantinho das Aromáticas

Folhagem acinzentada com aroma de caril; Flor amarela; Época de floração: Verão e Outono; Ciclo de vida: perene; Porte - altura: 60 cm diâmetro: 1 m estrato arbustivo: subarbusto; Propriedades: aromática, medicinal, condimentar; Comestível; Solo: bem drenado; Exposição: sol

Santolina verde (Santolina virens)
Descrição do Cantinho das Aromáticas

Também conhecida como Santolina-verde; Folhagem de aroma intenso; Flor amarela; Época de floração: Verão; Ciclo de vida: perene; Porte - altura: 25-50 cm diâmetro: 60 cm estrato arbustivo: arbusto; Propriedades: aromática, medicinal, condimentar; Partes utilizadas: folhas; Solo: todo o tipo; Exposição: sol;

Santolina
(Santolina chamaecyparissus)
Descrição do Cantinho das Aromáticas

Também conhecida como Abrótano-fêmea, Guarda-roupa, Pequeno-limonete e Roquete-dos-jardins; Folhagem prateada de aroma intenso; Flor amarela; Época de floração: Junho-Agosto; Ciclo de vida: perene; Porte - altura: 20-50 cm diâmetro:60-90 cm estrato arbustivo: arbusto; Propriedades: aromática, medicinal; Solo: todo o tipo; Exposição: sol; Repele pragas; Poda: Deve ser podada na Primavera. Deve-se remover as cabeças florais e aparar no Outono. 

Tenho um pdf com todas as ervas aromáticas devidamente identificadas, com links e outras observações.  Seria exaustivo replicar aqui esse trabalho. No entanto se me enviarem um email a solicitá-lo, terei todo o gosto a proceder ao seu envio.

Manel

sábado, 15 de Novembro de 2008

Cidade de Calcedónia. Terras do Bouro. Nov.08

Amigos,

Gostei muito deste trilho, pena foi ter começado a chover bastante lá em cima e não tirei as fotos que gostaria das fragas, grutas e carvalhos velhos. Também não passámos pela "fenda" com medo das escorregadelas.

Da próxima vez que fizer este percurso, há-de ser ao contrário. A razão principal é que a descida para Covide tem declives brutais que francamente acho mais seguro subir. Depois esta parte, em termos paisagísticos é menos interessante. Daí que prefiro chegar lá é cima por aqui e desfrutar do melhor na descida, menos complicada.

Recomendo este trilho, com tempo seco mas não muito quente. No Verão, ningém deve ser difícil aguentar o calor irradiado por todas aquelas pedras. A entre-ajuda de duas pessoas, pode dar jeito nas partes mais complicadas. 

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Depois de Covide, chegando aqui, era isto que nos esperava para chegarmos à Calcedónia.


Na subida tivemos muita companhia. O literal caminho de cabras.

De todas as cores, na nossa enconsta e na outra, bem mais rochosa.

Para chegar à Calcedónia, tivemos que contornar este penhasco. Aqui começou a chover e nós abrigámo-nos entre umas pedras, a ver as cabras passar, guiadas por um cão. Mas do pastor nada...


Fragas de todas as formas e teitios.

Algumas esculturas elaboradas pelos elementos durante sabe-se lá quanto tempo.

A primeira Tremella mesenterica que encontrei num ramo caído de um carvalho. São bolsas gelatinosas, brilhantes de cor damasco vivo. Identificado em http://cogumelosportugal.forum-livre.com
Até breve!

Manel

segunda-feira, 28 de Julho de 2008

Trilho da Brandas. Emoções fortes

Foi em Julho deste ano. Nunca pensei que o tempo fosse piorar tanto quando comecei a subida para a Branda de Gorbelas. Até aí a visibilidade não me atraiçoou. Dava para ver as montanhas à minha volta. Era só aquela chuva miudinha chata. Ainda conversei com duas senhoras cá em baixo na Gavieira, a Inverneira, ou seja o local de residência permanente desta comunidade pastoril, que quiseram saber o que ia eu fazer lá cima, sózinho com aquele tempo: "Com o nevoeiro aquilo é como se fosse noite". Exageros populares pensei eu...

Chegado à Branda de Gorbelas, a branda de cultivo ou "veranda", só estes dois simpáticos habitantes a me darem as boas-vindas. E umas vacas perto dos currais a mungir desesperadamente para que viesse alguém abrir-lhes a porta, pois já estavam fartas da chuva e do frio apesar de estarmos em pleno Verão.
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Os bancos de nevoeiro e chuva que desciam da montanha, conferiam a este ambiente, onde o homem só se atreve a viver no Verão para por o gado a pastar, logo tão natural como agreste e onde o assunto do dia são os lobos e não o futebol, uma dimensão fantástica que exerce sobre mim um fascínio e atracção, inexplicáveis.

Olhando para cima da Branda de Gorbelas, dava para ver que o tempo não ia melhorar. Mas eu já levava quase uma hora e meia nas pernas, não ia desistir agora. Além do mais, no meu mapa dizia que até lá cima era caminho carreteiro. Não havia como me perder. Grosso engano...
O trilho no nevoeiro, pareciam dezenas de trilhos. Era difícil dar com as marcas. Era um verdadeiro alívio encontrá-las. A dada altura aproximei-me demais de uma colocada bem alta num penedo para ficar acima do tojo e perdi-me de vez.

Em cima deste penedo, na escarpa que dá para um vale fundo, onde o rio Vez é só um fio de água, decidi voltar para baixo. Como dá para entender a visibilidade era nenhuma. Já estava feliz por ter chegado aqui e inteiro. Ia descer. 

Porém, numa última olhadela para cima enquanto o nevoeiro abre só um bocadinho, lá encontro o carreteiro e a marca. Agora chego lá cima!

Mal sabia o que ainda tinha para andar e sempre a subir. O caminho todo molhado, de progressão difícil e lenta. Mas depois do carreteiro, até Poulo da Seida, é só seguir um muro de pedra solta. Pelo menos sabia que esse muro seria o meu guia para baixo.
Só me apercebi de estar na branda de gado de Poulo da Seida quando me aproximei aos poucos metros destes abrigos de pastores que hoje sei que se chamam cortelhos. São às dezenas. Cada um com o seu pequeno curral de pedra solta também. 
Ficam num planalto, onde há várias "minas" de água fesca. São as nascentes do rio Vez. Do lado esquerdo fica o fojo do lobo, mas que desta vez, não conseguia ver, nem sequer lá chegar pelas marcas.


Perceber o topo do Poulo da Seida, ditou também o final da minha subida. Sabia que faltava chegar ao fojo do lobo e que devia estar ali perto, mas não encontrava as marcas. Resolvi procurar um dos cortelhos para trocar as meias molhadas por umas secas e tentar descer com mais algum conforto.

Descalço, começo a ouvir uns urros mal dispostos. Só tive tempo de calçar as botas à pressa e desviar-me deste touro cachena mal-disposto.
Resultado, enfiei-me na turfa até aos joelhos e a descida foram três horas com os pés elameados. Nada de grave. Pior foi descer cada uma daquelas pedras molhadas e escorregadias. Várias vezes optei por por o rabo no chão para não mandar um tombo. Nestes caminhos, para mim as descidas são mais difíceis que as subidas.

Já na descida e ao longo do tal muro de pedra solta que me guiou até ao carreteiro, o nevoeiro abriu só um pouco e deu para perceber que estava no meio de uma manada de gado cachena. É próximo ao Barrosão, mas mais elegante.

Passado duas semanas, voltei com uma amiga. Queria entender o que o mau tempo não me tinha deixado ver.

Branda de Poulo da Seida. O pasto, com os cortelhos e as minas onde nasce o Vez.

Mesmo lá em cima, a manada com os garranos mais bonitos que já vi.

O tal fojo do lobo. Imaginem as batidas, onde os pobres animais acabavam num buraco cá em baixo. Felizmente, hoje é só um monumento a essa eterna rivalidade pela sobrevivência de duas espécies, neste ambiente tão difícil e fantástico.
Todos os anos, o lobo ainda vai levando umas poucas rezes. Os pastores daqui queixam-se que o PNPG demora tempo demais a indemnizá-los. Falam em até dois anos.

O muro de pedra solta que no mau tempo me guiou entre o carreteiro de Gorbelas até Poulo da Seida.
 .
A Branda de Gorbelas, vista cá de cima, com o feno acabado de ser cortado e o maciço da Peneda ao fundo (perdoem-me as fotos, não estão grande coisa).
Arte popular na Branda de Gorbelas.
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Ficaram a faltar as imagens de algumas das maiores mariolas que já vi, a sul do Fojo do Lobo. Serviriam provavelmente, para guiar os pastores, no mau tempo, fosse nas batidas ao lobo ou na condução do gado entre as várias brandas da Peneda.
No próximo Verão, vou ver se arranjo companhia, para começar o percurso em Gorbelas, em vez de ser na Gavieira, acrescentando o caminho das mariolas, que chegam a 2 e 3 metros cada uma, feitas de pedra miúda.

Quero agradecer aos autores do texto "Pastoreio livre no Norte de Portugal". São eles Adelino Gouveia, José Vieira Leite e Rui Dantas. Desde que subi até à Branda de Poulo da Seida, que pergunto e pesquiso sobre o funcionamento destas comunidades e que os cortelhos me intrigam. Nem que fosse mais sintetizada, era este o tipo de informação interessante que eu gostaria de ver impresso nas centenas de quilos de papel produzidas anualmente pelas autarquias, turismo, icnb, associações de desenvolvimento regional, e demais organizações envolvidas na promoção desta área. Algum com interesse questionável. Aos  autores, muito obrigado. 
O texto completo está disponível nesta página da SPER. Procure por "Pastoreio livre no Norte de Portugal.

Até breve!

Manel

PS - Pedestrianismo não deve ser uma actividade solitária, muito menos nestas condições. Diminuo o risco, avisando amigos onde deixo o carro e o que vou fazer. Mas nestes lugares é comum os telemóveis não terem rede e a probabilidade de acidentes é real.
Quando me der para fazer outra destas, no mínimo vou ver se arranjo um ou dois companheiros que partilhem comigo o entusiasmo de andar no mau tempo. Não vai ser fácil, mas nos States, há tolos que se metem no meio dos furacões...

PPS - Se gostou deste tópico, veja também o Vale Glaciar do Vez.

domingo, 15 de Abril de 2007

Aldeia mágica em Arouca, guardada por dragão. Abr.07

Abril depois das chuvas, deve ser os momento ideal para fazer este trilho da Aldeia Mágica. As montanhas são extensões a perder de vista, cor lilás das urzes. As formas e sombras que assumem, nunca mais me sairam da minha memória. Fazem-me lembrar as garras do maior dragão do mundo que, cansado resolveu dormir ali à nossa frente, talvez a proteger a aldeia abandonada. Infelizmente não tenho imagens que dêem para fazer perceber o que descrevo, mas quem por lá passou, suponho que sabe o que quero dizer.
A chegada a Drave é uma surpresa fantástica. Só é pena não haver um projecto sério de recuperação desta aldeia abandonada devido ao isolamento e estado de pré-ruína.

Vejam as fotos.

Clique nas imagens para aumentar

Uma pastora de Regoufe. Eu bem lhe pedia para por o cabrito no chão, mas ela disse que já tinha corrido demais atrás dele...
Perspectiva de Regoufe, onde o trilho começa e acaba. Uma aldeia que deve ter conhecido melhores dias no tempo da exploração do volfrâmio.
Do lado de lá, vai-se para Covêlo de Paivô. Se para Drave o solo é de Xisto, para lá é granítico. A divisão geológica é mesmo neste vale que termina em regoufe. Suponho que aquela mancha enorme de areia que vem muito mais de cima, ainda seja detritos das minas.

Eu achava que estes troncos, eram invenção dos desenhos animados.

Uma das garras das patas do dragão. Para cada lado há outra tão colossal como esta. A neblina cria-lhes nuances e sombras, como se fossem feitas de pregas de um couro grosso.

Desgaste do xisto, provocada pelas rodas dos carros puxados por animais.

Caminho vai ficando cada vez mais florido conforme nos aproximamos de Drave.

Muros de pedra solta de xisto, mas dispostas de uma forma que nunca tinha visto.

Mais arbustos em flor mesmo à chegada de Drave.

O primeiro núcleo de casas de xisto, num monte à esquerda, antes de passar o ribeiro.

Isto foi há quase dois anos. Dá pena pensar quantos destes telhados já terão caído. Ficaria muito feliz se soubesse da existência de um projecto sério de recuperação e aproveitamento turístico, recreativo, ou com qualquer outro fim objectivo, para não perdermos este espaço idílico.


Uma última perspectiva da aldeia mágica. Um epíteto que não é exagerado.

Campos e ribeiro ao fundo de Drave

Quero lá voltar este ano

Até breve!

Manel